Após quase oito meses, Samello começa a pagar ex-funcionários


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Uma das mais tradicionais indústrias de calçados de Franca, a Samello, entrou no final do ano passado com um pedido de recuperação judicial da dívida calculada em aproximadamente R$ 90 milhões e aguarda resultado. A empresa não produz desde novembro de 2006 e tenta, por meio da venda de imóveis, retomar a produção e pagar seus ex-funcionários - que começaram a receber esta semana. Boa parte dos trabalhadores, no entanto, de acordo com um levantamento feito pela reportagem do Comércio, já voltou ao mercado de trabalho e reconstruiu suas vidas. O auxiliar de modelagem Donizete Oliveira, 48, é um deles. Durante 22 anos trabalhou na Samello, mas foi demitido na primeira “leva” de funcionários e deixou para trás R$ 1.800 referente a verbas rescisórias, que até hoje ainda não conseguiu receber. Durante três meses ficou desempregado e precisou usar o valor integral do seu seguro-desemprego para pagar despesas domésticas. Há um ano e cinco meses trabalha com carteira assinada e, depois do sufoco, está feliz por ter conseguido superar a demissão e ter refeito a sua vida. “Quando consegui outro emprego, nem acreditei. Foi uma alegria e tanto. Estou muito bem agora, graças a Deus”. Durante duas horas na porta da Samello, na terça e quarta-feira, a equipe de reportagem entrevistou 70 ex-funcionários que, entre os dias 24 e 27, voltaram à fábrica para receber parte de seus salários atrasados. Deste total, 67 estão empregados e, apenas nove, no mercado informal. PAGAMENTOS Entre terça e sexta-feira desta semana, a Samello planejou pagar R$ 522 mil a 753 ex-empregados, o que corresponde a uma parte dos salários atrasados (setembro, outubro e novembro de 2006). O balanço total ainda não foi feito, mas de acordo com o gerente de recursos humanos, Amauri Scehao, 90% deles foram receber. O restante pode comparecer à empresa a partir de segunda-feira, das 7h30 às 11 horas e das 12h30 às 17 horas, para receber. Os valores dos pagamentos é de 50% do teto estipulado pela Nova Lei de Falências, que é de cinco salários mínimos, e não ultrapassa R$ 875 por empregado. E para decidir o futuro da Samello e, possivelmente, planejar mais pagamentos, será feita uma assembléia de credores na quarta-feira, às 15 horas, na sede da empresa. Estarão presentes fornecedores, ex-funcionários e gerentes bancários.

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