Depois da Samello, é a vez de outra tradicional empresa de Franca pedir sua recuperação judicial: a Calçados Sândalo. Com dívidas superiores a R$ 6,1 milhões e dificuldades para pagar fornecedores e funcionários, a empresa entrou com o pedido em maio. De acordo com o advogado da empresa, Antônio Thales Gouveia Russo, a Sândalo tem até o final de agosto para apresentar seu plano de recuperação à Justiça.
A empresa vem enfrentando uma séria crise desde 2005, quando viu a derrocada das exportações, que correspondiam a 50% de sua produção. No edital do Diário Oficial de São Paulo, onde foi publicado o pedido de recuperação no último dia 19, a empresa alega que, a partir de 2005, com piora em 2006, “esgotou-se paulatinamente o capital de giro, levando a autora (Sândalo) à grave crise atual, que somente a recuperação judicial poderá sanar.” Na publicação são apontadas ainda as supostas causas da crise da empresa, que chegou a produzir mais de 5 mil pares por dia: o dólar, que baixou a lucratividade do setor, e a concorrência da China a partir de 2005.
O advogado aponta que a parte do processo que trata do prazo de pagamento dos credores está ainda sendo elaborada e não existe uma agenda de pagamento já concluída.
A empresa encerrou suas atividades no início de janeiro deste ano e demitiu 260 funcionários. Atualmente, conta apenas com cerca de 20 profissionais que respondem pelas áreas de desenvolvimento de produtos, comercial e marketing. Toda a produção atual da Calçados Sândalo é feita por empresas terceirizadas, que produzem cerca de 2,6 mil pares por dia (leia mais abaixo). Em 2003, por exemplo, a empresa fabricava cerca de 4,4 mil pares/dia.
De acordo com Antônio Thales, o processo conta com poucos funcionários entre os credores. “Tem muito pouco crédito trabalhista. As despensas foram pagas. Não há nenhuma ação trabalhista.”
Apesar da crise já se desenrolar há algum tempo, a iniciativa de pedir a recuperação judicial teria partido após a entrada de pedido de falência da empresa por parte de um dos credores. “Um credor, que tem a receber R$ 38 mil, entrou com o pedido de falência. Fizemos uma proposta de acordo e ele não aceitou.
Antes mesmo da empresa ter sido citada dentro deste processo de falência, a Sândalo optou pela recuperação. Ele (o credor) entrou concomitantemente com o pedido de falência e a Sândalo com o de recuperação”, aponta o também advogado da empresa Marlo Russo. Pela Lei de Falências, qualquer credor pode abrir processo falimentar contra uma empresa inadimplente e que demonstra não ter condições de quitar seus débitos.
Apesar do valor das dívidas que entraram no processo somarem R$ 6,1 milhões, o débito da empresa é ainda maior. “Os outros débitos eu não tenho de cabeça, mas são perfeitamente pagáveis. Não estou a par. Deve estar entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões no todo, não deve passar disso”, diz Antônio Thales, sem especificar quais são essas dívidas.
A RECUPERAÇÃO
A aposta da Sândalo para se recuperar e conseguir pagar seus credores é a mudança do sistema de trabalho da empresa. Desde o início deste ano, a marca terceirizou sua produção. A possibilidade de voltar a produção não está nos planos da Sândalo. “A empresa está trabalhando em outro sistema. Esse trabalho vai render royalties para pagar os credores”, diz Antônio Thales.
O ânimo ganhou reforço após a participação da marca na Francal 2007. “A Francal foi realmente muito boa pra nós. Estamos vivendo um momento de revitalização, uma fase muito especial de remodelagem e adaptações. Este segundo semestre promete”, disse Téti Brigagão, gerente de marketing da Sândalo.
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