Como planejar a aviação


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Na administração do governador José Serra, o eixo central é o Secretário do Planejamento Francisco Luna. Professor de história da Economia, ex-sócio do ex-Ministro João Sayad no Banco SRL, Luna tem o papel de fazer o meio campo entre Serra e os demais secretários. *** Nas frentes a serem atacadas pelo governo Serra, uma das mais espinhosas é a educação. A rede escolar estadual de São Paulo tem 6 mil escolas. Na cidade de São Paulo há mais escolas estaduais do que municipais. Na parte do material didático, selecionavam-se alguns livros e se dava ao professor a liberdade de escolher entre eles. O aprendizado tornou-se também mais difícil. Se faltasse um professor, como ficaria o curso, já que não havia um currículo padronizado? A idéia, agora, será retomar as avaliações curriculares a cada dois anos. Está sendo contratado o exame de todos os alunos da rede. Mas, sem um currículo único, o que se poderia medir? *** Outra mudança relevante foi a criação da Secretaria do Desenvolvimento, absorvendo as funções da antiga SCT. Estará debaixo dela a Comissão de Energia, a contraparte estadual à política da bioenergia, e cuja principal bandeira será a construção de um alcoolduto. Também estarão os parques tecnológicos, os Arranjos Produtivos Locais e a questão da infra-estrutura estadual. Acontece que a estrutura da antiga SCT é bastante precária. Daí a idéia de se criar uma Agência de Desenvolvimento, que ainda está sendo pensada. *** Tal qual foi concebido na Constituição de 1988, o PPA deveria definir metas físicas e indicar a direção que cada unidade da federação deveria perseguir. Assim como outros estados, São Paulo não conseguiu avançar na direção de transformar o Plano Plurianual em um projeto de desenvolvimento. Para compor um plano de governo, o PPA e a LDO deveriam ter metas qualitativas também. Por exemplo, metas de redução da mortalidade infantil, da doença, do analfabetismo. Mas praticamente nenhum estado ainda incorporou essas metodologias. *** No campo das políticas sociais, uma dos projetos do governo será o chamado “Viradão Social”, especialmente em regiões conflagradas. Primeiro, entra a polícia, utilizando o chamado processo de saturação. Em seguida, chega o social, o Poupatempo Móvel, a Escola e os Eventos Culturais. A idéia é que a polícia vá gradativamente saindo e dando espaço ao social. *** No caso das penitenciárias, o Secretário de Segurança Ronaldo Mazagão defende a liberdade assistida contra a super-lotação. No caso da Febem metade da solução já está encaminhada, com a divisão por unidades menores, para 40 meninos, viabilizando as políticas necessárias, com a mudança do conceito para unidade de acolhimento e para a liberação assistida. OS INDICADORES Não faltam dados sobre São Paulo. A Secretaria da Fazenda tem todos os indicadores físico-financeiros, há dados sobre educação, saúde e segurança. Mas nunca haviam sido transformados em indicadores permanentes. Será uma das prioridades do governo, inclusive para permitir implantar o sistema de remuneração por desempenho. A idéia será utilizar a Fundação Seade e a Fundap para levantar dados. ENSINO SUPERIOR A criação da Secretaria de Ensino Superior decorreu de problemas mais prosaicos. As universidades estaduais estavam vinculadas à Secretaria de Ciência e Tecnologia, sabe-se lá por que. Sempre foram independentes, e continuaram sendo. O que se pensava era estabelecer alguma forma de coordenação, de maneira a inseri-las com setor privado, que é bastante forte em São Paulo, mas pouco integrado às prioridades do Estado. EMAIL E TELEFONEMAS Um dos suplícios dos assessores de José Serra eram os telefonemas de madrugada cobrando providências. Isso se devia ao fato da insônia de Serra deixá-lo acordado até mais tarde, pensando no que fazer no dia seguinte. Depois que se acostumou com emails, Serra deixou de acordar os assessores. Agora dispara emails a torto e a direito, em uma versão eletrônica dos bilhetinhos de Jânio Quadros. JOBIM E BUSH No final do governo passado, Fernando Henrique se indispôs com George W. Bush, depois de um discurso pesado no parlamento francês. Corria o risco, inclusive, de não ser recebido por Bush em Washington. Foi Nelson Jobim, em parceria com o empresário Mário Garnero, quem ajudou a aparar as arestas. Relativamente, aliás, porque Bush recebeu FHC nos jardins da Casa Branca. QUADRO INTERNACIONAL -1 Há dois movimentos a serem acompanhados na economia internacional. O primeiro, a crise do mercado hipotecário norte-americano. Junto com ela, os problemas de vários bancos que andaram emprestando pesadamente para fusões e aquisições. Com a crise, irá ocorrer uma redução gradual nesses mercados. A questão é que muitas dessas aquisições levavam em consideração a possibilidade de valorização dos ativos adquiridos. QUADRO INTERNACIONAL - 2 O segundo movimento é o fim do efeito deflacionário da economia chinesa. Nos últimos anos, o mundo conseguiu crescer a taxas recordes sem inflação, graças à redução de preço dos produtos chineses, provocado em grande parte pela mão de obra barata, em parte menor pelo câmbio chinês. Agora, o próprio aquecimento da economia chinesa está anulando esse efeito. A China terá que desacelerar um pouco seu crescimento.

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