A inserção de portadores de deficiência no mercado de trabalho tem causado dor de cabeça a pelo menos 80 empresas de Franca e região. Com uma maior fiscalização do Ministério do Trabalho, o cumprimento da lei de cotas para deficientes (Lei 8.213/91) passou a ser exigido. A lei determina que empresas com mais de cem funcionários tenham em seus quadros de empregados entre 2% a 5% de deficientes. O problema é que, apesar de abrirem as vagas (são quase 50 oportunidades segundo levantamento do Comércio feito em 10 empresas), as empresas não conseguem encontrar candidatos para preenchê-las.
Ralf Barbosa, subdelegado substituto do MT de Franca, diz ter notificado essas 80 empresas que não cumpriram a determinação e que muitas já se justificaram explicando por quê não conseguem cumprir a lei. “Elas dizem que têm dificuldades de encontrar o profissional capacitado para as funções oferecidas”. A empresa que descumprir a lei, quando autuada, pode pagar uma multa que varia de R$1.195 a mais de R$ 119 mil.
Para o assessor do departamento de fiscalização do MT, Rogério Lopes, a questão da inclusão esbarra em três fatores principais.
Primeiro, a falta de capacitação, seguida das dificuldades de acessibilidade e o pagamento do BPC (Benefício de Prestação Continuada). O BPC é um auxílio assistencial de um salário mínimo pago mensalmente a deficientes, impossibilitados de prover sua manutenção ou tê-la provida por sua família. Dessa forma, o deficiente que trabalha não pode ter acesso ao benefício.
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A multinacional Louis Dreyfus, empresa do setor citrícola com fazendas em Estreito, no município de Pedregulho, Cristais Paulista e Igarapava, está com seis vagas abertas em cargos operacionais, mas encontra dificuldades em preenchê-las. O diretor agrícola da empresa, Fábio Di Giorgi, diz que o empregado conta com transporte até a fazenda, café da manhã, uniforme, registro em carteira e salário compatível com a categoria, porém mesmo com as vantagens não obtém retorno de candidatos. “Temos vagas de ajudante geral, tratorista e inspetor de pragas. Por ser funções que exigem trabalho em campo aberto, acredito que limita os deficientes”.
Assistente social da Apae, Maria José Almeida confirma a tese de Giorgi e diz que como os deficientes são limitados, o processo de capacitação é mais demorado. “Não é fácil preencher todos os requisitos exigidos. Os deficientes precisam ser capacitados para lidar com exigências, prazos e a exercer uma função diferente do seu dia-a-dia”.
Presidente da Adefi (Associação dos Deficientes Físicos) de Franca, Wilma Pereira, também diz que a procura está maior, porém faltam deficientes capazes de ocupar as vagas oferecidas. “Quando o problema não está na falta de capacitação, o deficiente é aposentado e não quer perder o benefício.
Realmente faltam profissionais e a única solução é trabalhar na capacitação dos deficientes”.
Colaborou Thiago Rociolli
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