‘Sumiço’ de itens deixa café-da-manhã mais caro


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A bancária Ana Vera Telles compra pães em padaria da cidade. Para ela, aumento no preço dos itens do café-da-manhã faz diferença no orçamento da família
A bancária Ana Vera Telles compra pães em padaria da cidade. Para ela, aumento no preço dos itens do café-da-manhã faz diferença no orçamento da família
O café-da-manhã do francano vai ficar mais caro. O café, o leite e o pãozinho, itens principais no café-da-manhã, devem ser reajustados e o consumidor sentirá a diferença no bolso nos próximos dias. O leite longa-vida que, sozinho, já acumulou reajuste de até 85% de abril a julho, deve subir ainda mais. O pão francês pode aumentar na próxima semana em até 10% por conta da falta de trigo no mercado. Já o café, com a queda recorde da safra, também deve subir. O leite-longa vida está até R$ 1 mais caro em comparação a abril. Naquele mês, quando o leite teve sua primeira alta do ano, o menor preço por litro era de R$ 1,19. Hoje, o produto da mesma marca custa R$ 2,19, podendo chegar até a R$ 2,49 em alguns supermercados. A bancária Ana Vera Telles, 40, se assustou quando voltou ao supermercado neste mês e viu que o leite estava ainda mais caro. “Compro caixas de doze por mês e, no final, você sente sim uma grande diferença no bolso”. Um dos fatores que têm contribuído para a alta, segundo a ABLV (Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa-Vida), é a redução na captação de leite no mercado interno, motivada pela seca; a diminuição acelerada dos estoques e o avanço da cana nas áreas de pastagens do gado leiteiro. Daniel Pedigoni, gerente de supermercado, disse que há previsão de novo aumento para os próximos dez dias. “Acredito que o longa-vida deva subir entre 20 a 30%”. Segundo ele, os pedidos, que antes eram entregues em 48 horas, agora demoram dez dias para chegar. Depois do leite, o pãozinho francês deve ser outro a sofrer reajuste. A alta pode ocorrer nos próximos dias e inflacionar o filão em até 10%. Atualmente, o quilo do pão nas padarias da cidade custa em média R$ 5. O baixo estoque de trigo nas indústrias argentinas que fabricam e distribuem a farinha é apontado como responsável pelo aumento. Além disso, as altas taxas para importar o grão contribuem para o cenário. NÃO PÁRA Outro item importante no café-da-manhã, o próprio café, pode estar mais caro nas prateleiras a partir de setembro. A justificativa para um possível aumento é a queda na safra causada pela bienalidade (fenômeno natural que acontece entre um ano e outro em função do ciclo da planta) e em razão da seca registrada no ano passado que afetou a florada e o nascimento dos grãos. As primeiras previsões da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas) de Franca e região apontam uma queda de mais de 60% da safra em relação à do ano passado. Por conta disso, o produto pode ficar escasso no mercado e o preço deve aumentar. Atualmente, a saca de 60 quilos é vendida, em média, a R$ 220, mas muitos cafeicultores deverão estocar o produto à espera de preços melhores, ao redor de R$ 300. Quem não dispensa o café com leite e o pão francês reclama: “É complicado quando você compra pão e leite todos os dias e, a cada ida ao supermercado, nota diferença no preço. Quem tem crianças pequenas deve sofrer”, disse a operadora de caixa Elizângela Soares, 42.

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