Quando olhamos os santos e ao mesmo tempo nossas vidas, ficamos decepcionados. E nem precisa comparar com um santo de verdade. Alguns padres da região têm obras tão fantásticas que fazem com que as nossas desapareçam. Fazemos tão pouco que o pouco parece nada.
Temos a tendência a observar o absoluto e nunca o relativo. Vemos o quanto alguém fez, mas não contabilizamos o que ele teve como ponto de partida. O grande físico do século XX, Albert Einstein, afirmava que desenvolveu a Teoria de Relatividade porque havia subido nos ombros dos cientistas predecessores. E, de fato, Einstein juntou diversos conhecimentos e montou sua Teoria.
Muitos padres do passado souberam usar com maestria seus conhecimentos e liderança para construir hospitais, orfanatos, escolas, universidades, etc. Contavam com a fé dos fiéis, que é um grande motivador. Por outro lado, muitos outros homens da Fé pouco fazem para a comunidade, mas muito para si mesmos.
Há quem fale mal dos padres e da Igreja. Há os que exploram financeiramente a fé, lambem os beiços depois da coleta dos pobres. Devoram os bens dos infelizes fingindo fazer longas orações. Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do inferno? Muitos desses que dizem: ‘Senhor! Senhor!’, pregam em nome de Cristo e até expulsam demônios e fazem muitos milagres, ouvirão de Jesus: Nunca vos conheci, retirai-vos de mim, operários maus!
Assim como sabemos que a quem muito se deu, muito se exigirá (Lc 12,48), também sabemos que o pouco que fazemos é visto por Deus como muito, pois olha as condições. É o que podemos deduzir de Marcos (cap. 12, vers. 41ss), a oferta da viúva. Jesus sentou-se defronte do cofre de esmola e observava como o povo deitava dinheiro nele; muitos ricos depositavam grandes quantias.
Chegando uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, no valor de apenas um quadrante. E ele chamou os seus discípulos e disse-lhes: Em verdade vos digo: esta pobre viúva doou mais do que todos os que lançaram no cofre, porque todos deram do que tinham de sobra; esta, porém, pôs, tudo o que tinha para o seu sustento.
Assim, vemos que enquanto alguns conseguem muitas coisas facilmente, são apoiados pelos pais, pela família e líderes; a grande maioria, o que consegue é com muita dificuldade, nada de mão beijada. É assim que a realidade é, portanto, nada de perder tempo reclamando ou choramingando, tempo é mais precioso que dinheiro, deve ser usado com sabedoria.
Só nos cabe agarrar na palavra de Cristo que prometeu aliviar o fardo (Mt 11,28), não prometeu que não haveria carga, conforme-se! E podemos ter a certeza que Cristo sabe o quanto cada um está ofertando ao cofre de esmola da vida.
MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano
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