Nem mesmo a chuva desanimou os militantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) que, depois de três meses, deixaram o Sítio São José, em Cristais Paulista. A mudança começou na tarde de terça-feira e terminou ontem.
Durante os 90 dias de ocupação, 120 famílias permaneceram acampadas em barracas de lona preta no meio do mato. Mas, ao contrário do que sempre acontece quando desocupam áreas, desta vez, o grupo não invadiu outra propriedade. Cerca de 80 famílias foram transferidas para o acampamento Santos Dias da Silva, em Ribeirão Preto. Outras quatro foram para um acampamento em Alfenas (MG) e, para as demais, o MLST alugou quatro chácaras.
Os sem-terra não revelam onde ficam as chácaras nem quanto pagarão de aluguel.
A decisão de deixar o sítio foi tomada diante da possibilidade do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) comprar a Fazenda Limeira, vizinha ao sítio, que é cobiçada pelos sem-terra há mais de um ano. Um dos militantes, Francisco Alexandre Silva, disse que o grupo optou por não invadir outra propriedade, enquanto esperam pela definição. “Vamos ficar em contato com todos em Ribeirão Preto. Quando conseguirmos que a fazenda entre para reforma agrária, voltaremos a invadir”, disse Silva.
Esta é mais uma tentativa do grupo de montar o segundo assentamento na região. O da Fazenda Boa Sorte, em Restinga, completará dez anos em janeiro de 2008. No local, vivem famílias do MST (Movimento dos Sem-Terra) e MLST. Este último tentou, por várias vezes, pressionar o Incra (Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária) a comprar a Fazenda Santa Cruz, em Cristais Paulista, que também foi ocupada e desocupada mais tarde. Incra e proprietários não chegaram a um acordo. Os sem-terra deixaram a área e foram para o sítio ao lado da Fazenda Limeira, também em Cristais. Na próxima semana, quatro militantes da coordenação vão até Brasília conversar com representantes do Incra. “É uma forma de pressionar para apressar o processo de desapropriação da fazenda”, disse Francisco.
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