Cléber André de Souza, 29, é costurador na fôrma. Durante oito meses, passou sufoco para manter as contas de casa em dia e sustentar dois filhos e a mulher. Ele é um dos demitidos da
Calçados Samello, que fechou as portas no fim do ano passado.
Após cinco anos, deixou a empresa sem receber os salários atrasados e verbas rescisórias e não teve outra alternativa a não ser fazer ‘bicos’ para se manter. Há um mês, conseguiu emprego em uma banca de pesponto e agora tenta refazer sua vida.
Ele afirma que a Samello sempre foi uma empresa boa para se trabalhar. “Apesar de tudo que passei, voltaria a trabalhar na Samello”.
Cléber é um dos 750 ex-funcionários da Samello que devem receber parte dos salários dos demitidos. A estimativa é de que até sexta-feira, todos os funcionários que tenham até R$ 1,75 mil de salários atrasados recebam, ao menos, metade desse valor (R$ 875). Ao todo, serão pagos R$ 522 mil aos trabalhadores. O dinheiro foi obtido na venda de um terreno da família Samello.
Para a coladeira Angélica Estela de Souza, 26, o dinheiro chegou atrasado, mas veio em boa hora. Ela foi uma das primeiras a receber o salário e contou que foi difícil ficar desempregada por quase nove meses. “Nem acredito que vou receber, estou muito feliz”. Angélica, assim como Cléber, também está empregada há um mês em uma banca de pesponto na Vila Rezende, mas tem dúvidas se voltaria a trabalhar na Samello. “Foi um choque muito grande a demissão, não sei se voltaria a trabalhar lá”.
Os pagamentos continuam até amanhã. A estimativa é atender pouco mais de 200 pessoas por dia. Quem não buscar o dinheiro até a tarde de quinta-feira, poderá receber no dia seguinte das 7 às 18 horas.
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