Julho de 2006. Um incêndio atingiu 400 mil metros quadrados, o equivalente a 51,9 campos de futebol, da Floresta Estadual de Batatais, conhecida como ‘Horto Florestal’. Foi o quarto incêndio de grandes proporções no local em dez anos. Um ano se passou e a reserva continua correndo riscos. Apenas nove funcionários trabalham em uma área de mais de 600 alqueires.
Nenhum deles como vigia. O medo de novos incêndios fez com que a direção do horto florestal montasse um esquema de campana para evitar novos focos de queimadas. No último domingo, um foco de incêndio foi registrado na área. O caso não é isolado. As queimadas na região andam dando muito trabalho ao Corpo de Bombeiros. Nos últimos 50 dias, os números de incêndios aumentaram 50,6% em relação ao mesmo período do ano passado. É como se a cada 11 horas uma queimada fosse detectada.
Em Batatais, na falta do Corpo de Bombeiros, a solução encontrada foi transformar um trabalhador braçal em vigilante nos fins de semana. “A tarefa dele se restringe em avisar os possíveis incêndios. Mas não é possível observar tudo o que acontece”, disse o engenheiro agrônomo Marcelo Zanata, 39, diretor da floresta.
Outra medida para evitar a destruição da floresta é a realização de um trabalho chamado “aceiro”, que isola a área protegida com uma faixa de terra nua. Zanata afirma que isso não é suficiente.
Para ele, além da falta de funcionários, a proximidade da reserva com a área urbana e a falta de conscientização da população configuram problemas importantes. “A maioria dos incêndios é provocada, uma vez que acontece dentro do talhão de pinus”, disse.
O diretor da floresta disse que a chuva de segunda-feira ajudou a diminuir o perigo momentâneo. “Não chovia desde maio e a chuva de ontem (segunda-feira) fez com que o risco de queimadas diminuísse bastante”, afirmou.
O horto florestal são terras do Instituto Florestal e tem área total de 1.478 hectares. Localizada na Rodovia Cândido Portinari, Km 347, a floresta conta com extensas áreas plantadas com pinus e eucalipto. Possui ainda espécies como óleo-de-copaíba, canela, jequitibá e cedro, além de duas nascentes formadoras dos córregos da Prata e da Estiva, que contribuem para o abastecimento de Batatais.
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