Os problemas da Câmara ultrapassaram o limite dos atrasos para o início das sessões e da falta de apresentação de projetos relevantes para a população. O caso, agora, é de desleixo com a infra-estrutura da Casa. O sistema de vigilância da Câmara Municipal, instalado em 2005 e que custou mais de R$ 12,5 mil aos cofres públicos, ficou desligado por 36 dias sem que ninguém percebesse. Se nesse período fosse necessário acessar as imagens de TV para esclarecer os furtos que, não raro, ocorrem no prédio, o aparato não serviria para nada.
O responsável pela inspeção do sistema é o diretor-jurídico da Câmara, Waldir Paludeto, que possui as chaves da sala onde fica o computador que guarda as gravações. Além dele, somente o presidente da Câmara, Joaquim Ribeiro (PSB), tem as cópias. De acordo com laudo técnico, realizado por empresa particular, o problema do computador seria uma fonte queimada.
As últimas imagens registradas pelo sistema eram do dia 30 de maio e, desde então, houve o “apagão”, só descoberto (por acaso) no início de julho, quando o diretor-administrativo, Afonso Teodoro Souza Filho, pediu a Paludeto para acessar algumas imagens do plenário. “Chamei o Valdir para buscar as imagens no servidor, pois ele tem a chave e a senha de acesso. No ato, vi que o computador estava estragado”, disse.
Paludeto diz que não tem culpa no caso. Segundo ele, o acúmulo de duas funções na Câmara o tem desgastado. Negou, ainda, que tenha havido desleixo de sua parte. “Hoje sou diretor jurídico e geral do Legislativo. É muito corrido. Admito que não chequei mesmo o sistema durante esses dias, mas não foi por descaso.
Meus dias estão muito atribulados”, justificou. Não mencionou, porém, que para acumular os cargos, tem um acréscimo de 20% (cerca de R$ 2 mil) em seus vencimentos.
O presidente da Casa foi informado por Afonso sobre o apagão, mas decidiu não culpar Paludeto. Assumiu, pessoalmente, o erro do subordinado. “É um fato que não pode ocorrer. Mas chamo a responsabilidade para mim e já tomei as providências necessárias”, disse Ribeiro, que, após o episódio, passou a exigir um relatório diário de Paludeto sobre o funcionamento do equipamento.
ROTINA
A ocorrência de crimes na casa de leis francana é bastante comum. Um dos mais intrigantes, e sem solução até hoje, aconteceu em 2005, quando um computador foi furtado do gabinete do vereador Donizete da Farmácia (PMN).
No ano passado, as gravações permitiram a identificação e detenção de um maníaco sexual que assediava adolescentes no núcleo de inclusão digital da Câmara. Por fim, em maio último, um artesão foi detido pela Guarda Civil após furtar o celular de funcionário e várias lâmpadas no interior do prédio e ser flagrado pelo sistema de segurança.
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