O fim de uma espécie rara de escorpião encontrada em Franca deve trazer dor de cabeça aos moradores dos jardins Regina Helena e Petraglia. Os bairros ficam próximos a duas áreas onde vive o Bothriurus araguayae, nome científico do animal. Uma dessas áreas é um loteamento na Avenida Rio Branco. A outra é o local onde está sendo construído o novo campus da Unesp (Universidade Estadual Paulista) “Jornalista Corrêa Neves”. O loteamento das áreas e a construção de imóveis estão acabando com a vegetação que servia de hábitat para o escorpião. Como a espécie não consegue sobreviver em outro ambiente, aos poucos, está morrendo. A constatação é do biólogo Ricardo Luis Jardim, que cursa mestrado na Unesp de Botucatu e há anos estuda esta espécie de escorpião.
O problema, segundo o especialista, é que o Bothriurus é responsável por comer gafanhotos, cupins e formigas, mantendo o equilíbrio ambiental nos pontos onde vive. Com a sua extinção, os riscos de um aumento dos insetos nessas regiões são grandes. “Este escorpião é um importante predador dentro do nicho ecológico, agindo como um regulador natural da população de insetos. Se ele for extinto, é claro que mudanças no ambiente ocorrerão”, disse.
O artrópode, que possui cerca de 3 centímetros e coloração preta, é inofensivo aos seres humanos. Ele se hospeda em matas e arbustos. “O Bothriurus não é o único escorpião a viver nestas áreas. Há outra espécie na região, o Tityus serrulatus, mas esta última é mais resistente e consegue migrar para outras áreas.
Mesmo que sobreviva à devastação dos habitats, sozinho, o Tityus não dará conta de manter o equilíbrio”, explicou o biólogo.
A dona de casa Maria Imaculada da Silva, moradora do Jardim Regina Helena, disse que o bairro já possui bastante insetos.
Ela reside na Avenida Rio Negro, onde se localiza um dos principais hábitats do escorpião. “Aqui tem muita formigas de todos os tipos. Morro de nojo. Nem sei o que farei se a quantidade delas aumentar. Alguém tem fazer algo para evitar que isso aconteça”.
Informada pela reportagem sobre o problema, a Vigilância Sanitária Municipal afirmou que não sabia do risco de extinção do Bothriurus araguayae e prometeu acompanhar o caso para, na hipótese de proliferação de insetos, fazer o controle. “Estamos à disposição da população e iremos fazer análises nos locais para tentar evitar que a população de insetos aumente. Se mesmo assim isto acontecer, tomaremos as medidas necessárias para eliminação do problema”, disse o fiscal Vairton Reis de Paula.
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