Uma pipa caída em um quintal levou a polícia a tomar parte em um encontro e repleto de mistério ontem. Um aposentado de 76 anos foi achado dentro de sua casa cerca de dez dias após morrer. A cachorra, companheira de todas as horas do idoso, também estava morta. O portão e a porta, abertos. Havia sangue na cozinha.
Vizinhos e familiares não mantiveram contato com a vítima nos últimos dias e não haviam suspeitado do desaparecimento. A polícia investiga as causas da misteriosa morte de Laurindo de Freitas.
A estranha ocorrência teve como palco uma casa de três cômodos construída nos fundos de um terreno murado da Rua Salima Mussi Pedro, prolongamento do Jardim Ângela Rosa. Se não fosse um garoto de nove anos, possivelmente, a morte demoraria mais alguns dias para ser descoberta.
O menino soltava pipa quando a mesma caiu no terreno. Como o portão não estava trancado, entrou para buscá-la. Encontrou a cachorra do morador morta debaixo de alguns pés de milho e saiu correndo. “Resolvemos verificar e chamamos o seu Laurindo, que não respondeu. Empurramos e entramos. Foi quando nos deparamos com ele caído sem vida na cama”, contou o sapateiro Geraldo Alexandre, 30, tio do garoto e vizinho da vítima.
Policiais se surpreenderam com o que encontraram: primeiro, se depararam com o cachorro morto no quintal e com ferimentos pelo corpo. Inicialmente, imaginou-se que as lesões teriam sido provocadas por tiros, mas é provável que sejam resultado da ação de outros animais. Ao entrarem na residência, encontraram marcas de sangue na cozinha. O odor que vinha do quarto era intenso.
Até mesmo uma experiente policial preferiu não entrar. O corpo estava em adiantado estado de decomposição, o que dificultou qualquer análise no local. Segundo o perito Lerner, a morte teria ocorrido entre sete e dez dias e, a princípio, não foram encontradas marcas de violência. Para a polícia, tudo indica que ocorreu morte natural, pois o aposentado sofria de problemas de saúde, como bronquite.
O cadáver foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) e a Polícia Científica terá 30 dias para concluir o laudo oficial. As marcas de sangue teriam sido deixadas pela cachorra, que morreu, supostamente, de fome. Não foram encontrados sinais que evidenciassem a ação de bandidos na casa.
Os vizinhos não viam Laurindo de Freitas há uma semana. Pensavam que ele estivesse viajando. O aposentado morava com a mulher e uma neta na casa. As mulheres deixaram Franca há duas semanas para passarem férias em Dois Córregos (SP). “Uma neta chegou desesperada na residência após o encontro do corpo, mas disse que era comum a família passar vários dias sem manter contato com ele para ver como estava. Esse distanciamento, talvez, explique o fato de a vítima ter ficado tanto tempo morta em casa sem ser descoberta”, comentou o escrivão Uiltoncir Júnior.
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