Fenômeno da literatura


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Os adolescentes e jovens da geração 80, que gostam de ler, com certeza conhecem as aventuras da série “Os Karas”. No livro mais vendido de Pedro Bandeira, A droga da obediência, Miguel, Calu, Magri e Crânio, estudantes de um colégio Elite, fundam uma organização secreta chamada “Os Karas” e investigam o desaparecimento de jovens de todas as escolas de São Paulo, comandado pelo diabólico Doutor Q.I., que planeja usar uma droga experimental para subjugar a humanidade e governar o mundo. Com a mesma criatividade e emoção usada para escrever 75 livros, Bandeira abriu, ontem de manhã no Shelton Inn Hotel, a 2ª Semana Regional de Educação (leia mais na página A-11). O escritor prender a atenção de 600 professores por quatro horas, o que não é para qualquer um. Mais do que uma palestra para profissionais da educação, ele deu uma aula sobre como dar aula para crianças. Formado em Ciências Sociais pela USP, especializado em Psicologia do Desenvolvimento, ator, diretor, cenógrafo, professor, jornalista e, enfim, escritor, Bandeira tem 65 anos, 75 livros publicados, o prêmio Jabuti em literatura infantil e, segundo a editora Melhoramentos, mais de nove milhões de exemplares vendidos. Em um País que tem 26% da população de analfabetos funcionais (pessoas que possuem menos de quatro anos de estudos completos), o escritor é um fenômeno da literatura infantil e juvenil. O segredo do sucesso, Bandeira diz serem a criatividade e a paixão. “Sem paixão não dá para fazer nada, não dá para ser professor, jornalista, nem escritor”. E isso ele prova em cada palavra que pronuncia, com brilho no ar, sobre a importância da leitura para as crianças. “Todo conhecimento está escrito. A leitura tem que ser apresentada como uma coisa prazerosa, divertida, e não como cobrança. O verbo ler é parente dos verbos amar e sonhar e não podem ser conjugados no imperativo. Ninguém pode falar ‘ame’, ‘leia’, nós só lemos e amamos se nós quisermos”. O santista, que atualmente mora em São Roque, não tem pretensões de ser comparado a escritores como Guimarães Rosa. Seu objetivo é ser alicerce. “Eu não quero ser Machado de Assis, eu quero ser os primeiros degraus para uma criança conseguir ler Machado depois. Eu quero conquistar os alunos e ser entendido. Se não tiver caras como eu, as crianças de hoje não vão entender Machado no futuro”. PASSADO E FUTURO O primeiro livro de Bandeira foi O dinossauro que fazia au-au, publicado para crianças quando o autor já tinha 40 anos. “Eu me especializei em Psicologia para errar menos, construir personagens melhores”. O escritor começou a escrever para o público infantil quando ainda era jornalista e trabalhou como free-lancer para a Editora Abril. Depois de se apaixonar pela literatura infanto-juvenil, surgiu “Os Karas”, em 1984. Sem esquecer da turma dos adolescentes que é o maior sucesso do autor e atendendo aos pedidos de muitas cartas e e-mails, o próximo livro de Bandeira será uma nova aventura dos Karas. “Vou escrever sobre o começo da turma, seria o encontro dos alunos antes de A droga da obediência. Mas ainda não há data para o lançamento”.

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