Dezoito anos: a idade mais aguardada por todos os jovens. Obter a maioridade civil, época de entrar para a faculdade e finalmente tirar carteira de motorista. Esse momento tão sonhado pelos adolescentes representa uma espécie de “marco zero” em suas vidas. Afinal, a data serve como um divisor de águas entre a passagem da fase adolescente para a fase adulta. Antes considerados “irresponsáveis”, agora eles têm o compromisso de responder pelos seus atos e arcar com as conseqüências. A ansiedade é tanta, que no primeiro mês em que completam 18 anos, a primeira medida ‘responsável’ que tomam é procurar uma auto-escola para, enfim, poder dirigir sozinhos.
Segundo o psicólogo Tales Vilela Santeiro, a vontade de obter uma CNH (Carteira Nacional de Habilitação) faz parte da adolescência. “Quando somos crianças, queremos nos tornar adultos e pensamos que quanto mais velhos, melhores somos. Aí almejamos tudo que nos remete a isso”. Para o psicólogo, poder usar o carro dos pais (ou um próprio) simboliza essa independência. “Tirar carta é demonstrar autonomia e é um dos símbolos dessa ânsia pela maioridade”.
Quem não via a hora de completar 18 anos para poder tirar carteira de motorista é a estudante do 1º ano de Educação Física na Unifran (Universidade de Franca) Nayara Côrrea. Ela completou a maioridade no último dia 7 de julho e quer ainda este mês começar os exames. “Até que enfim chegou o dia. Quero tirar carta o mais rápido possível”, disse ela, que pretende não depender mais dos pais para sair com o carro. “Preciso de mais liberdade. É muito incômodo ficar pedindo para eles levar e buscar na faculdade e nas baladas. Já com a carta de motorista em mãos, será bem mais rápido e prático”, afirma.
Com o mesmo entusiasmo, o namorado de Nayara, Fabrício de Paula Reis, 18, estudante de Gastronomia, também ficou muito feliz ao completar, enfim, os seus 18 anos em outubro do ano passado.
Segundo ele, a data demorou muito para chegar. “Acho que como todos os jovens da minha idade, fiquei muito ansioso para completar logo a maioridade, parecia que nunca ia chegar”, conta. Na mesma semana em que fez aniversário, o estudante procurou uma auto-escola e começou a maratona das aulas práticas. “Até pegar a carta nas mãos demorou um mês e meio. Mas depois valeu a pena”, afirma ele, que agora se sente mais responsável. “É meio ideológico isso, mas depois dos 18 anos a gente se sente mais maduro e seguro de si”, completa.
MINHA QUERIDA CNH
O órgão responsável pela emissão deste documento tão almejado pelos jovens que completam 18 anos é o Detran (Departamento Estadual de Trânsito). Para retirar a primeira habilitação, que no início pode ser solicitada nas categorias ‘A’ (motos e triciclos) e ‘B’ (carros), é necessário procurar uma auto-escola de confiança com documentos originais em mãos (CPF, RG, comprovante de residência e duas fotos 3X4).
Na auto-escola, o aluno será orientado a fazer os exames médicos, psicotécnicos e teóricos. O aspirante a motorista fará também em média de 10 a 20 aulas práticas por semana com um instrutor responsável para depois prestar o exame de direção - também chamado de exame prático. Se aprovado, receberá uma permissão para dirigir, ainda não definitiva. A permissão é válida por um ano. Após esse período, a CNH será concedida se o motorista não cometer nenhuma infração de natureza grave ou gravíssima. Caso seja reprovado em algum dos exames, é necessário repeti-los.
Para retirar a carteira de habilitação é necessário pagar uma taxa. Entre as auto-escolas de Franca, o preço pode ser pago à vista ou parcelado. A CNH de carro e de moto custa em média de R$ 800 a R$ 1200 à vista, ou parcelado em até seis vezes de R$ 150 ou em menores parcelas com menos juros para quem preferir. Nesse preço, estão inclusas todas as despesas da carta de motorista.
No Estado de São Paulo são emitidas em média 350 mil carteiras de motorista por mês. Esse número inclui a emissão da primeira carteira, 2ª via e CNH definitiva. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública, no total, São Paulo possui 16,5 milhões de condutores, sendo 6,5 milhões na capital. Procurado pela reportagem, o delegado titular da Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) de Franca, Marcelo Caleiro, não foi encontrado para falar sobre os números de novos habilitados na cidade.
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