Engenheiro acusa Prefeitura de favorecer Emdef


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O dono da FFC Engenharia, José Eduardo Corrêa, em depoimento, ontem, à CEI do Bagres: “Não sobra nada para a gente”
O dono da FFC Engenharia, José Eduardo Corrêa, em depoimento, ontem, à CEI do Bagres: “Não sobra nada para a gente”
O engenheiro José Eduardo Corrêa, dono da FFC Engenharia, inverteu o foco das investigações da CEI (Comissão Especial de Inquérito) que apura o escândalo do Bagres. De acusado, passou a denunciante. Ele disse que a Prefeitura favorece a Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca) na realização de obras que dispensam licitação. Segundo ele, pequenas empresas participam das tomadas de preços como laranjas para perder a disputa. Em troca, assumem a realização, ao fim do processo, de frações do mesmo serviço. Como em obras até R$ 150 mil a Prefeitura pode dispensar o processo licitatório e utilizar a modalidade carta-convite, o esquema visa deixar com a autarquia a maioria das obras, o que facilita a repartição dos recursos entre empresas “amigas”. “Todas as dispensas de licitação vão para a Emdef. As outras empresas dão cobertura. A Emdef pega orçamento de duas empresinhas pequenas (...) depois elas pegam parte da obra para fazer”, disse. Corrêa e outras cinco pessoas, entre engenheiros e funcionários públicos, são acusados pelo Ministério Público de fraudar uma licitação para desviar dinheiro público. O empresário reclamou ainda que, quando o processo conta com a participação de empresas particulares, outra artimanha seria utilizada para favorecer a Emdef. Segundo Corrêa, a Prefeitura protela a entrega do documento onde constam especificações técnicas e demais exigências aos interessados. Com isso, a Emdef, que é “da casa”, leva vantagem. “Este último (Bagres, do qual a Emdef não participou) levou três dias. Mas outros chegaram a demorar até 15”, disse. O presidente da Emdef, João Marcos Rodrigues, disse que não tem nada a ver com licitações e que isso é de responsabilidade da Comissão Permanente de Licitações e do secretário de Finanças, Sebastião Ananias. Este, por sua vez, diz que não há nada ilícito nas licitações e que “os processos são transparentes”. FFC ENGENHARIA O primeiro depoimento, ontem, à CEI, foi do engenheiro Paulo Roberto Bortoleto, sócio da Infratécnica Engenharia, terceira empresa a participar da licitação e que mantém empreendimentos com o ex-secretário do Planejamento Wilson Teixeira. Ele negou ligações com a FFC e Betontest e disse que seu objetivo real era efetuar as obras e não o projeto técnico. “Sempre que sou convidado pela Prefeitura para participar (de licitações) participo”, disse.

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