A Prefeitura de Franca vai gastar cerca de R$ 540 mil para individualizar hidrômetros de conjuntos habitacionais populares. A medida beneficiará diretamente 1,8 mil famílias que, hoje, dividem as despesas de água. O projeto de Lei, de autoria do prefeito Sidnei Rocha (PSDB), tem como base emenda que a vereadora Graciela Ambrósio (PDT) fez no recente contrato assinado com a Sabesp. A emenda foi rejeitada pelo prefeito, que optou por fazer um projeto específico.
A matéria já foi encaminhada para apreciação da Câmara Municipal e será votada no dia 31 de julho. Se aprovada, as obras começam ainda neste ano. Para cada unidade habitacional, a Prefeitura gastará R$ 300. Os mutuários, por sua vez, não terão nenhuma despesa.
Idealizadora do projeto, Graciela Ambrósio acredita que a Câmara Municipal não se oporá ao pedido do prefeito e que, em breve, as famílias não terão que ratear suas despesas de água. “Essa é uma situação que se arrasta há pelo menos 20 anos. As obras são de interesse dos moradores, não temos motivos para não aprovar”.
Graciela disse ainda não estar incomodada pelo fato de o prefeito apresentar o projeto de lei como se fosse de sua autoria. “Isso não me importa. O importante é que ajudaremos milhares de pessoas com a individualização”. Apesar da aparente despreocupação, Graciela exigiu que constasse no projeto de lei que a iniciativa foi baseada em uma emenda sua. A reportagem entrou em contato com o gabinete do prefeito Sidnei Rocha durante toda a tarde de ontem via telefone, mas, segundo sua secretária, Sidnei não pôde atender pois estava “despachando” documentos.
Pelo projeto, a Sabesp ficará responsável em dar apoio técnico à Prefeitura. As verbas virão de outras secretarias. “Os recursos vão obedecer a sistemática de remanejamento próprio da Prefeitura dentro do seu quadro orçamentário”, disse Sebastião Ananias, secretário de Planejamento. Segundo ele, a prática de remanejamento é normal e deverá ser feita assim que o projeto for aprovado.
A gratuidade na individualização de hidrômetros valerá apenas para os conjuntos habitacionais já existentes nos bairros City Petrópolis, Jardim Parati, Alvorada e Parque Vicente Leporace.
Para o sapateiro Nilson Luiz Rangel, 56, morador no Parque Vicente Leporace, a iniciativa do prefeito é boa, já que os moradores não conseguem chegar a um consenso para a realização das obras. “Fizemos muitas reuniões, mas nunca conseguimos um acordo. A maioria não aceitava e alegava que não poderia pagar”.
Rui Engrácia Caluz, vereador e gerente distrital da Sabesp, explicou que, com a individualização das contas de água, os mutuários deverão reduzir o consumo. “O consumo que geralmente é de 12 metros cúbicos por família passará para cerca de dez. E quem se enquadra na tarifa social (pessoas declaradas carentes), pagará menos ainda. Ao invés de R$ 22,50 por dez metros cúbicos gastos, vão pagar R$ 7,28”.
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