Vizinhança reclama e mulher dos 23 cães perde ‘bichinhos’


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Cachorros são levados pelo caminhão da carrocinha ontem à tarde, no Jardim Dermínio: dona de casa tem dez dias para recorrer
Cachorros são levados pelo caminhão da carrocinha ontem à tarde, no Jardim Dermínio: dona de casa tem dez dias para recorrer
Vinte e três cachorros, três cômodos, cama de casal para dormir, geladeira cheia de carne, ração pelos cantos e um cheiro forte, mistura de fezes e urina dos animais. Esse foi o cenário encontrado pela Vigilância Sanitária, ontem, em uma cada na Rua Presidente Café Filho, Jardim Dermínio. Por causa do mau cheiro e do barulho, a vizinhança exigiu providências e Adriana Luiz, 57, a dona do “canil” improvisado, viu seus pequenos serem levados pela carrocinha. Ontem, por volta das 14 horas, agentes da Vigilância Sanitária estiveram na casa e constataram que o imóvel é impróprio para abrigar 23 cachorros. “Aqui não tem canil, realmente o cheiro está muito forte, tem sujeira de cachorro por todo o quintal. Por esses motivos, ela não pode ter esses animais”, informou a fiscal Matilde Antunes. A retirada abalou a dona. “Eles não podem levar meus cachorros. Ninguém me avisou que viriam aqui. Ninguém tem esse direito. Eu cuido muito bem deles. Não passam fome, dormem na cama e, além de comerem a melhor ração, minha geladeira está cheia de carnes só para eles”, disse Adriana, chorando. Sobre o mau cheiro, ela se defendeu. “Só está este cheiro porque eu não lavei a casa nos dois últimos dias”. Para quem mora ao lado, contudo, a sensação é bem diferente. Tábata Martins mudou-se para o bairro há seis anos e afirma que, depois da chegada de Adriana, sofre com o incômodo dos animais. “O problema não é ela, são os cachorros e gatos que ficam entrando na minha casa. Ela não limpa o quintal, deve lavar só uma vez por semana e o cheiro fica muito desagradável. Ninguém agüenta mais”, disse. Lázaro Antônio de Andrade concorda com Tábata. “Mudei para cá há três meses e me assustei com a situação. Realmente o mau cheiro é insuportável, além do barulho que eles fazem”, disse. Outro morador, que não quis se identificar, afirmou que já viu Adriana jogar cachorros mortos na rua. “O caminhão nem pega mais o lixo dela. Uma vez seu cachorro ficou morto no quintal uns três dias. E se alguém reclamar, ela vem pra cima”. Adriana, porém, não pretende abandonar os animais. Ela tem dez dias para recorrer e tentar recuperar seus cães e promete uma briga dura pelos bichinhos. “Eu vou trazê-los de volta. Só preciso de uns três meses para conseguir um lugar para ‘gente’ morar tranqüilo. Se tivessem me avisado antes nada disso teria acontecido. Vou sentir muita falta, eles são minha única companhia”. CARROCINHA Por dia, cerca de dez cachorros e gatos são recolhidos nas ruas da cidade pelo caminhão da carrocinha. Os animais são levados para o Canil Municipal e o dono tem cinco dias para resgatá-los. Caso contrário, eles podem ser adotados por qualquer pessoa em até três dias. Se depois do prazo os bichos não encontrarem um novo dono, eles são mortos através de injeção letal que não causa dor.

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