Por uma cidade sustentável


| Tempo de leitura: 3 min
Ultimamente, o prefeito da cidade sistematicamente se queixa da falta de recursos para atender às demandas da população local. No entanto, são raras as iniciativas para desenvolver projetos que envolvem apenas decisões administrativas ou o engajamento de determinados setores com soluções relativamente simples. O agravamento da crise ambiental no planeta faz necessário que o poder público local assuma pra valer os compromissos da Agenda 21. Acho até que as propostas do Município Verde estadual são muito tímidas para uma cidade como Franca, que é diferenciada e avançada no aspecto ambiental, o Estado quer apenas empurrar novas responsabilidades aos municípios e sair fora de suas obrigações. É muito mais econômico, simples, relevante e eficaz para combater enchentes, por exemplo, dragar o lago do Castelinho que fazer grandes obras de engenharia no canal do Bagres. Sem segundas intenções ou ironia, basta remover a sujeira. Há várias coisas neste sentido que não demandam recursos públicos e que ajudariam a combater as enchentes. A começar do Plano Diretor. Se já estivesse em vigor o projeto de lei do novo código de edificações, estaria prevista a exigência necessária, em cada lote de determinadas proporções, a deixar uma parte do solo permeável. Quando um grande supermercado como o Carrefour impermeabiliza milhares de metros quadrados com asfalto, com aprovação da Prefeitura, toda a água que cai ali vai rapidamente para o fundo do vale, exigindo custosas obras hidráulicas. Quando a própria prefeitura opta por asfaltar pátios e ruas, faz estacionamentos ou vias para carros em praças que deveriam ser verdes como do Brasilândia e do Progresso, o mesmo acontece, está na contramão da sustentabilidade. É preciso mudar a mentalidade imediatista do prefeito e dos projetistas, que devem ser convencidos a utilizar pisos permeáveis e reduzir a ênfase nas obras rodoviárias. O mesmo deveria ser aplicado às calçadas, totalmente impermeáveis. Quando são utilizáveis. Além de permitir a circulação das pessoas, deveria haver uma faixa verde nelas. Difícil? Sim, mas pior será conviver com enchentes e torrar milhões em obras duvidosas que não resolverão o problema central. A frota pública é outro exemplo ecológico a ser dado. Seria necessário que todos os veículos públicos passassem a utilizar álcool ou biodiesel, inclusive a frota da concessionária de ônibus, da coleta de lixo e das empreiteiras contratadas pela Prefeitura. Exigir nas frotas públicas ou a seu serviço a utilização do gás ou biodiesel deveria passar a ser uma exigência contratual nas licitações públicas. O uso de energia solar é um outro elemento a ser exigido nos projetos. Várias cidades já incorporaram ao seu código de obras a obrigatoriedade de uso do coletor solar para aquecimento da água. Há experiências, em Minas Gerais, de conjuntos habitacionais populares que incorporaram a energia solar para aquecimento. Seria necessário a Prohab exigir tal comportamento sustentável nos conjuntos sob sua responsabilidade. A construção de ciclovias, prevista no Plano Diretor, deveria receber investimentos maciços e não apenas 50 mil reais no ano. É um meio de transporte utilizado por milhares de trabalhadores de baixa renda, com baixo consumo energético, são mais de 30 mil viagens-dia. Deveria haver um grande estímulo ao uso da bicicleta. Mas o que se ouve são planos para viadutos, que consumirão milhões de reais e apenas transferirão o congestionamento para a esquina seguinte. Enfim, experiências exitosas de sustentabilidade ambiental existem por todo o país. Falta criatividade e vontade política deste governo para implementá-las. MAURO FERREIRA é arquiteto

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários