Férias imterrompidas


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Letícia Felipe, aluna do Grupo Educacional Veredas, brinca deitada sobre o campo do Sesi, durante colônia de férias. Acompanhada de monitores, ela está segura
Letícia Felipe, aluna do Grupo Educacional Veredas, brinca deitada sobre o campo do Sesi, durante colônia de férias. Acompanhada de monitores, ela está segura
Adilson Rosa Celestino, 13, estudante da 8ª série, vai passar a última semana de férias de “castigo” em casa, no Jardim Dermínio. Na sexta-feira passada, ele resolveu aproveitar o dia longe da escola para brincar de subir em árvores com os amigos. Ao tentar pular de um galho para o outro, desequilibrou-se e caiu sobre o braço esquerdo. Com o tombo, quebrou o osso do punho. Adilson está com tala e deverá engessá-lo amanhã, durante o retorno ao médico. O jovem, que pretendia se despedir do recesso escolar jogando bola na rua, continuará “de molho”, apenas assistindo à tevê. “Não posso brincar muito. Tenho de ficar mais parado por causa do braço”, disse. Adilson é um dos mais de 100 mil estudantes de Franca e não é o único a perder as férias por se machucar neste período. Acidentes domésticos e nas ruas aumentam nos meses em que os alunos estão longe das aulas. Na cidade, a Secretaria de Saúde e hospitais Regional e Unimed não forneceram estatísticas sobre ocorrências do tipo. Mas médicos que atendem em consultórios particulares e nas unidades de emergência dos hospitais de Franca percebem mais casos de crianças e jovens vítimas de quedas, fraturados, com cortes, contusões, intoxicados ou que sofreram queimaduras nas férias. O pediatra Homero Rosa Júnior acredita que o número de acidentados seja de 20% a 30% superior que os ocorridos em época de aulas. “Elas ficam mais expostas aos perigos e sozinhas nas residências. É difícil as férias dos pais coincidirem com as dos filhos”. As ocorrências atingem todas as idades. “Durante as férias, as crianças têm mais liberdade. As menores são as que correm mais riscos, pois têm menos noção do perigo”, disse o pediatra Eduardo Simões, que atende ocorrências do tipo em todos os plantões (semanais) que faz. “Não passo um plantão sem atender a esse tipo de ocorrência”. As brincadeiras de skate, andar de bicicleta, jogos de bola, subir em árvores e em escadas, mexer no fogão, ingerir produtos químicos e se machucar com objetos cortantes são os principais vilões. “Os acidentes não podem ser encarados como fatalidades. Muitas ocorrências podem ser evitadas com medidas simples adotadas dentro de casa”, disse Simões. Olívia Maria Corrêa, pediatra há 23 anos, é outra profissional a notar o crescimento de lesões durante o recesso escolar. Ela concorda com o médico pediatra e acha que os pais devem estar mais atentos ao ambiente em que os filhos estão em suas residências. “É possível evitar tombos, queimaduras e outras lesões, sim”. Para evitar fatalidades, algumas dicas são importantes: deixar as crianças acompanhadas de adultos; manter remédios, produtos de limpeza e bebidas alcoólicas fora do alcance delas ou em armários trancados; tomar cuidado com ponta (quinas) das mesas; não deixar objetos de apoio (como bancos, cadeiras) próximos a janelas; colocar protetores ou fita adesiva nas tomadas para evitar que enfiem objetos e tomem choques e cozinhar com os cabos das panelas virados para a parte interna do fogão para impedir que alguém esbarre e elas virem. “São cuidados simples, mas que podem salvar uma vida”, disse Eduardo Simões.

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