Casa no Miramontes ameaça desabar


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Rosângela Maria de Almeida e Sebastião Caetano Souza param em frente aos três cômodos onde moram no Bairro Miramontes: “Se chover, vou ficar no tempo”, disse a moradora
Rosângela Maria de Almeida e Sebastião Caetano Souza param em frente aos três cômodos onde moram no Bairro Miramontes: “Se chover, vou ficar no tempo”, disse a moradora
É na rua que os catadores de sucata Rosângela Maria de Almeida, 55, conhecida como “Xuxa”, e Sebastião Caetano Souza, 75, se sentem mais seguros. Eles ficam fora das 7 horas ao meio-dia para recolher papelão, pets e latinhas e vender para depósitos de sucatas. Apesar das dificuldades de andar por causa de problemas de saúde de Sebastião, é nessas cinco horas que o casal fala que está fora de perigo. A casa que Rosângela herdou da mãe, no Bairro Miramontes, corre o risco de cair. O imóvel onde mora o casal e seus dois filhos (um deles está preso) fica numa viela sem asfalto. O portão de entrada não é fixo, fica apenas escorado. Depois da entrada de terra com algumas plantas, há três cômodos no fundo do terreno. A cozinha, sala e quarto são apertados. Sem energia elétrica na casa, os cômodos são iluminados com velas durante a noite. Os espaços, além de escuros e apertados, estão com as paredes e telhado danificados. No quarto e sala, as paredes estão com rachaduras, as portas e algumas janelas não têm vidro. Papelões e uma lousinha de criança fazem as vezes dos vidros. “Se chover, vou ficar no tempo. O telhado está pendendo, as paredes balançam quando a gente empurra”, disse Rosângela, empurrando os tijolos que se mexem quando pressionados com as mãos. Eles dizem que precisam de areia, cimento, tijolos e telhas para consertar a residência. “Quero reformar a casa porque tenho medo que ela caia. Tem um monte de goteiras. O problema é que não tenho dinheiro para comprar materiais para uma reforma”. No começo do ano, época de chuvas, para conseguir melhorar o imóvel, os moradores protocolaram pedido de ajuda na Prefeitura mas não foram atendidos. [FOTO2] A família não está sem dinheiro apenas para comprar materiais de construção. Os moradores também têm dificuldades para se alimentar. Têm comido basicamente arroz, feijão com couve ou almeirão que plantam no pedaço de terra na entrada da casa. Geralmente, não têm mistura. “Comemos o básico mesmo. Melhora quando meu filho ganha uma cestinha básica no serviço, mas é mês sim, mês não que ele recebe os alimentos”, disse Rosângela. Sebastião Caetano Souza é doente e não pode trabalhar muito. O filho de 25 anos é chapa e não tem emprego fixo. O outro de 21 anos está preso em Getulina (SP). “Fiquei um ano e nove meses sem ver meu filho. Só fui depois que fizeram uma feijoada e consegui R$ 300 para a viagem. O dinheiro aqui em casa é contado”. Sebastião recebe benefício do governo de R$ 320 e as vendas da sucata que o casal pega nas ruas rende entre R$ 5 e R$ 15 por dia, quando conseguem vender. “É difícil ter material todo dia. A coleta seletiva da prefeitura municipal passa pelos bairros e recolhe as sucatas. Não conseguimos muito”, disse Sebastião. A catadora de papel recebe R$ 50 por mês do Bolsa Família. Doações de materiais de construções e alimentos para a família podem ser entregues na residência deles na Rua Visconde de Taunay, 58, no Bairro Miramontes.

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