As gargalhadas provocadas pelas atrizes Tânia Alves, Fafy Siqueira e Vera Setta, durante a peça Os Monólogos da Vagina, apresentada durante o fim de semana, deram espaço a um assunto sério: Franca precisa cuidar do Teatro Municipal. No final do espetáculo apresentado neste domingo, Vera fez questão de dizer ao público que “uma cidade sem teatro é uma cidade sem cultura”.
A preocupação da atriz serviu como um alerta. Apesar do Teatro Municipal receber espetáculos regionais com freqüência, há meses a cidade não assistia a uma peça com nomes de peso. A cena teatral em Franca fica restrita às produções do Sesi. Enquanto o Teatro do Sesi recebe centenas de pessoas todas as semanas, o Municipal, com suas cadeiras de 1979 - data da inauguração - e forros rasgados, sofre com a falta de investimentos públicos e de produtores que consigam atrair grandes espetáculos para a cidade.
De tão preocupada, Vera chegou a conversar com o secretário municipal de Cultura, Sérgio Menezes, sobre a situação do Teatro Municipal. “Ele me confidenciou que por conta de brigas políticas, o teatro está meio abandonado”, disse. “Não pode, teatro é um bem de todos.”
Procurado pela reportagem na tarde de ontem, o secretário disse que o problema tem data para acabar. “Já temos os orçamentos prontos do piso, do forro e de toda a estrutura principal”. Menezes disse ainda que o Teatro está com a programação completa até dezembro e, depois disso, possivelmente será realizada uma reforma completa.
O diretor do Teatro, Jô Ribeiro, reconhece os problemas estruturais e, como o secretário, disse que eles serão resolvidos em breve e já lista algumas conquistas. “Compramos uma mesa digital de 48 canais de luz, os refletores estão todos funcionando e a mesa de som tem 40 canais digitais.”
O público agradece. Mesmo com todos os problemas, nos dois dias de apresentação teatral, a casa lotou. Nem os R$ 40 do ingresso, preço bem acima da média cobrada nos eventos promovidos na cidade, nem os dois shows que aconteceram no fim de semana (Chrystian e Ralf, na sexta-feira, e Engenheiros do Hawaii, no sábado) impediram que quase 90% dos 420 lugares do Teatro fossem preenchidos.
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