Samello paga parte dos salários atrasados


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A diretoria da Calçados Samello anunciou ontem que pagará parte dos salários atrasados, relativos aos meses de setembro, outubro e novembro do ano passado, nesta semana. Os pagamentos serão feitos de terça a quinta-feira, das 11 às 18 horas, na sede da empresa. No total, serão quitados mais de R$ 522 mil para 753 funcionários. De acordo com o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, os trabalhadores não receberão seus créditos integralmente. Os valores dos pagamentos serão de 50% do teto estipulado por lei, que é de cinco salários mínimos, e não ultrapassarão R$ 875 por empregado. “Se a pessoa tem R$ 5 mil, por exemplo, não receberá tudo. A empresa vai pagar dentro do que a Lei de Falências determina. O restante, inclusive as verbas rescisórias, será negociado junto com as outras dívidas, após a aprovação do plano de recuperação judicial”, disse. “É bom esclarecer que a base é o salário mínimo da época que iniciou o processo, de R$ 350”. Ribeiro disse que a Samello traçou um cronograma de pagamentos para evitar tumultos. Na terça-feira, receberão os ex-funcionários cujos nomes começam com as letras de A a F. Na quarta, de G a M e, na quinta-feira, de N a Z. “De acordo com essa divisão, mais de 700 trabalhadores receberão um pouco do que têm em haver e terão um pouco mais de tranqüilidade”, disse, ressaltando que os pagamentos serão efetuados com cheques da empresa e nominais aos funcionários. A assembléia de credores acontecerá no dia 1º de agosto, às 15 horas, na sede da própria Samello, e reunirá representantes das três categorias de credores da fábrica: bancos, fornecedores e trabalhadores. Eles votarão e decidirão pela continuidade ou não do plano de recuperação judicial, iniciado em novembro último. Em caso de rejeição, a Justiça poderá decretar a falência da Samello. A empresa acumula dívidas superiores a R$ 90 milhões e está com sua produção parada desde outubro do ano passado. ‘ALIVIADO’ O presidente da Calçados Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, disse estar “aliviado” com o anúncio dos primeiros pagamentos. Ele garante estar cumprindo uma promessa que fez no auge da crise. “Falamos que o primeiro dinheiro que entrasse seria para nossos colaboradores e cumpriremos isso até o fim”, disse. “É um alívio poder pagar parte do que devemos a eles. Não deixaremos ninguém sem receber”. O dinheiro para os pagamentos, de acordo com o empresário, foi obtido com a venda de uma das propriedades do grupo, um terreno situado em frente à matriz da Samello, na região central da cidade. Embora Mello Neto não divulgue o valor da negociação, estima-se que a venda tenha sido concretizada por um valor próximo a R$ 3,2 milhões. “Continuamos negociando os imóveis e, se Deus quiser, até o fim do ano vamos retomar nossas atividades produtivas”.

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