Saber escolher e acolher


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Neste domingo, chamado de domingo da hospitalidade, Jesus se encontra com duas discípulas, Marta e Maria, que de maneira diferente oferecem-lhe hospitalidade. É no evangelho de hoje que São Lucas conta o episódio de Marta e Maria. São duas mulheres. Uma delas, de nome Marta, é chefe da casa e nela recebe Jesus. O nome Marta significa “senhora” ela é a dona da casa até em seu nome. A outra chama-se Maria, cujo nome significa, “a excelsa, a elevada, a sublime”. Duas personalidades diferentes, dois tipos. Atitudes complementares. As duas simbolizam a vida ativa e contemplativa, como formas complementares da existência cristã. Jesus sempre valorizou o amor feito serviço concreto e não apenas a oração e a escuta da Palavra. Porém, vendo Marta tão atarefada, pede-lhe que concentre seu coração no essencial. A atitude de hospitalidade descrita no evangelho nos faz lembrar que Deus nos acolhe e nós acolhemos Deus. A iniciativa é sempre dele, que nos ama primeiro. Deus acolhe-nos a tal ponto que se encarna na nossa história, assumindo a condição humana, menos o pecado, de tal forma que é capaz de morrer por nós. A primeira leitura, do livro do Gênesis, fala da hospitalidade de Abraão a personagens “misteriosos” e sobre a promessa de descendência. O cenário da história são os carvalhos de Mambré, lugar sagrado e apropriado a tais visitas. Por causa do calor, Abraão senta-se à porta da tenda e ali chegam três homens. Eles procuram abrigo do calor e sem lugar para descansar. É preparado um banquete para eles. Recebem alimento, cuidados e proteção durante três dias. Depois da refeição os visitantes retribuem a Abraão a hospitalidade recebida: o nascimento do filho de Abraão e Sara, mesmo na velhice. Aos poucos o patriarca vai se dando conta do caráter sobrenatural da visita. A segunda leitura, da carta aos Colossenses constitui uma perícope que descreve a alegria de Paulo por completar em sua própria carne o que falta às tribulações de Cristo em favor da Igreja. A alegria do apóstolo consiste no fato de que, mesmo prisioneiro, pode fazer algo por Cristo e pela Igreja. A fadiga de Paulo é o anúncio do Cristo mistério agora revelado aos santos. Os exemplos de Abraão, Marta e Maria nos convidam à reflexão, à tomada de nossas opções, e nos chamam ao equilíbrio, a viver prazerosamente cada momento e a centrar nossa vida no essencial. HOSPITALIDADE Acolher é sinal de fidelidade ao mandamento novo, sem fronteiras. Hospedar o outro é hospedar Cristo. Hospitalidade vem da palavra latina “hospitalitate”, que designa o ato de hospedar, o acolhimento afetuoso. Hóspede, provém do latino “hospes” que é a pessoa que se aloja temporariamente em casa alheia, visitante. A hospitalidade é a capacidade de abertura e acolhimento ao que vem de fora; ao estranho, ao novo. Num mundo como o nosso, onde o medo predomina, o isolamento e a privacidade estão cada vez mais dominantes; a hospitalidade é um desafio. Outro fator é a correria, o excesso de trabalho, de ocupações que absorvem a pessoa como um todo, não deixando tempo para o outro. Pensemos nisso! PASTORAL DA ACOLHIDA A Igreja tem esta pastoral que deve ser “um estado de espírito”. É uma vida nova como fruto e obra do Espírito Santo. Na pastoral da acolhida se aprende que só pode acolher e amar quem se sentir amado por Deus e se dispuser a amar os outros, como Deus o ama. O acolhimento não é improvisado, não é imposição. Ele é fruto da ação do Espírito Santo em nós, através da prática da Palavra de Deus e ação dos sacramentos. O acolhimento deve atingir os que estão na Igreja, os que procuram a Igreja e aqueles que não vão à Igreja. A pessoa que sabe acolher significa que possui um “coração bom”; pois Deus tem espaço dentro dela. AMIZADE A Bíblia diz: “o amigo bom e fiel vale mais que um tesouro”. Quem acolhe os outros tem sempre amigos. O contrário do acolhimento é a recepção distante fria, a rejeição, o desprezo. Quem age assim está sempre sozinho e quase sempre “desconfia” dos outros. Quem tem amigos e quem é amigo não sabe o que é solidão, mas sabe o que é a solidariedade. Quem tem amigos pode sempre pedir “socorro” e sempre seu grito será ouvido. Existem muitas riquezas ou fontes de riqueza no mundo, entretanto, a amizade é riqueza que nada pode destruir.

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