Acabou o mistério. A Santa Casa, enfim, abriu suas finanças e justificou à população de Franca como utilizou a verba de R$ 2 milhões recebida do governo do Estado no último dia 3. Segundo o departamento financeiro da instituição, em 15 dias, já foram gastos mais de 75% do montante.
Os maiores beneficiados foram os fornecedores, que ficaram com R$ 1,3 milhão. Deste valor, R$ 636 mil foram destinados para cinco grandes distribuidoras. Outros R$ 526 mil deverão ter o mesmo destino nos próximos dias.
Segundo a prestação de contas, a Distribuidora Mafra, de Ribeirão Preto, ficou com a maior parte da verba: mais de R$ 392 mil. A Novartis, de São Paulo, recebeu R$ 113,6 mil. Além das duas, outras distribuidoras, todas do grupo de grandes credores, receberam pagamentos superiores a R$ 20 mil (veja quadro nesta página). Outra parcela do dinheiro foi gasta pela Santa Casa com recolhimento de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) de seu corpo de funcionários. Foram utilizados R$ 117,7 mil para o acerto do tributo. A escolha por pagar os fornecedores, contudo, não foi uma opção espontânea da diretoria, mas uma atitude emergencial para evitar o caos. Quando a verba chegou, as dívidas com fornecedores já ultrapassavam os R$ 4 milhões e o uso de alguns produtos hospitalares era racionalizado. A situação refletiu diretamente nos atendimentos, que tiveram de ser cortados em importantes áreas, como fisioterapia, ortopedia e raio-x.
De acordo com o diretor-clínico da Santa Casa, Marcelo de Paula Lima, se os R$ 2 milhões não tivessem entrado na fundação, a situação estaria, hoje, insustentável. “Se analisarmos somente as cirurgias, dá para ter uma noção: em maio, fizemos mais de 900 cirurgias. Em junho, foram somente 600. Se essa verba não chegasse, não teria como fazermos nada, quebraríamos. Não teríamos antibióticos nem material para trabalhar”.
Outros fornecedores na lista da Santa Casa são das mais diversas áreas de atuação. Vão desde hotéis, supermercados e de materiais elétricos a distribuidores de material descartável. Neste último item, chamam atenção os valores pagos à Papéis Giovanna, de Franca, superiores a R$ 18,3 mil. De acordo com Lima, o alto consumo de papéis é inevitável. “Imagine 1,5 mil internações por mês. Cada uma gasta três vias de prontuário. Só aí, são 4,5 folhas. Fora isso, há escritório, contabilidade e os materiais de consumo, como papel higiênico e papel-toalha”.
TRABALHISTAS
O deputado Gilson de Souza, autor da emenda que viabilizou a chegada dos R$ 2 milhões para a Santa Casa, disse que a diretoria está fazendo bom uso do dinheiro. Para ele, o fundamental, no momento, é garantir que o hospital permaneça de portas abertas. “Estão fazendo a parte deles. Da minha, farei todo esforço para continuar ajudando a instituição a continuar prestando serviços importantes para Franca e região”, disse.
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