Podemos comparar a miséria a um círculo vicioso, em que os filhos herdam a agonia da pobreza dos pais. É como se a criança estivesse presa em um mundo que lhe nega oportunidades e a obriga a uma busca incessante por sobrevivência. A miséria ofusca totalmente o brilho e a magia da infância. Essa situação miserável se apresenta tão poderosa a ponto de destruir a esperança de que um dia essa criança terá aquilo que a Constituição assegura. Ela é tão cruel que também impede que a criança tenha um futuro promissor. A miséria restringe a infância a um universo que se mostra árduo e abjeto aos olhos dos adultos e, irrefutavelmente sombrio e destruidor para aqueles que talvez não saibam e nunca saberão o que é ser criança.
Lydia Rodrigues Souza
é leitora do Comércio da Franca
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