Eles torcem para o fim das férias


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O estudante Felipe Chagas não gosta de férias e conta os dias para voltar à escola, rever os amigos e comer pão com leite. Como ele, outras pessoas também não vêm a hora de voltar à vida normal
O estudante Felipe Chagas não gosta de férias e conta os dias para voltar à escola, rever os amigos e comer pão com leite. Como ele, outras pessoas também não vêm a hora de voltar à vida normal
Pode parecer loucura mas, enquanto uns esperam o semestre inteiro para curtir as tão esperadas férias, outros se arrepiam só de ouvir essa palavra e torcem para que elas não cheguem tão cedo e, quando começam, para que acabem logo. Pais que trabalham e não têm com quem deixar os filhos durante o expediente e comerciantes que têm negócios nas imediações de escolas e universidades são os principais exemplos. No setor comercial, a baixa nas vendas pode chegar a até 60% no mês de julho. É o caso do bar do “Seu Zé”, um dos mais populares entre os alunos da Unesp (Universidade Estadual Paulista). Em dias movimentados, ele recebe cerca de 70 clientes, dos quais 50 são universitários. Nas férias, o total de frequentadores raramente passa dos 40, dos quais apenas 20, segundo o proprietário, são estudantes. “Cerca de 70% dos meus clientes são universitários, por isso, nas férias, o movimento cai mais da metade. Julho não é um mês nada bom para mim”, diz José Dias Primo, 70, dono do bar. Outros bares chegam a permanecer fechados em determinados dias para evitar o prejuízo ou reduzir o horário de atendimento. O Fish, localizado na Rua Major Claudiano, mas proximidades da Unesp, é um exemplo. Na época de aulas, o estabelecimento fecha normalmente por volta das 4 horas. Em dias de férias, o horário raramente passa das 2 horas. Na categoria pais, a doméstica Ana Cláudia Xavier, que tem quatro filhos, reclama da dificuldade de trabalhar com as crianças em casa. “É muito difícil conciliar, ainda mais quando os filhos são pequenos”, disse. Para trabalhar, ela conta com ajuda de uma creche, onde matriculou as crianças. Lá não há recesso. “Não tenho com quem deixá-las, ainda bem que encontrei a creche”. Já a pespontadeira Nívea Maria Silva, que tem três filhos com idades entre 8 e 13 anos, reclama da falta de atividade das crianças. “Eles acordam e vão jogar video-game, só param para ir ao banheiro e comer, se deixar dormem por lá mesmo. Sai até briga, não aguento mais as férias”. Já Lilian Chagas, mãe de dois filhos - um deles de três meses - afirma que é complicado conciliar todas as atividades. “Nos fins de semana, tento fazer passeios diferentes, mas, com essa vida corrida temos que trabalhar e cuidar da casa e dos filhos. Confesso que sem elas ficaria tudo mais fácil”. Até mesmo onde menos se espera há torcida contra as férias. O estudante Felipe Chagas, 7, filho de Lilian, diz que odeia o recesso e não vê a hora de voltar à escola para brincar e comer lanche. Felipe fica em casa durante todo o dia e raramente brinca com outras crianças. Para ele, férias é sinônimo de “chatice”. “Sinto falta dos meus amigos e do pão com leite servido às quintas-feiras. Ficar em casa é muito sem graça”.

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