Mágoa, raiva e divergência marcam depoimento


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Taísa Franceschi se disse “à vontade” durante depoimento aos membros da CEI
Taísa Franceschi se disse “à vontade” durante depoimento aos membros da CEI
O depoimento da proprietária da Betontest Engenharia, Taísa Franceschi, à CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga o escândalo das obras do Córrego dos Bagres foi um misto de emoções. Em determinados momentos, Taísa mostrava-se calma; em outros, magoada; demonstrou, também, raiva das acusações contra ela. Para completar, contradisse outros envolvidos no caso. O depoimento começou com 25 minutos de atraso, às 9h25, e só terminou ao meio-dia. No início, a engenheira se mostrou tranqüila, mas por pouco tempo. Na segunda-feira, Virgínio Reis, seu sócio no projeto investigado pelo MP, havia dito que a parceria entre os dois ocorreu por ele não ter firma aberta para participar da licitação. Ontem, Taísa afirmou que trabalharam em dupla em razão do prazo de entrega do projeto. “O tempo hábil era curto, por isso pegamos juntos.” Mais tarde, quando questionada sobre a lisura da licitação vencida por ela, Taísa explicou, sem constrangimentos, que sua proposta foi elaborada na mesma máquina de escrever utilizada por quem deveria ser sua rival, a FFC. “Tenho livre acesso à máquina de meu sogro (José Darcy Franceschi, ex-sócio da FFC) e vou usar sempre que precisar”, disse. Na seqüência, a engenheira se atrapalhou ao ser perguntada sobre o tipo de relação ou vínculo que mantém com o atual dono da FFC. “Não há relação. O José Eduardo foi casado com minha cunhada. Só há amizade. Foi casado com a filha do seu Darcy, que é pai de meu marido (Marco Antônio). Quanto ao meu sogro, fiquei sabendo pelo jornal que ele tinha 1% da empresa”. Foi aí que ela cometeu seu segundo deslize. Afirmou que, quando o escândalo foi deflagrado, com o anúncio do prefeito Sidnei Rocha do cancelamento da obra, em 30 de março, seu sogro, José Darcy, já não era mais dono da FFC. De acordo com informações da Junta Comercial do Estado de São Paulo, o desligamento só ocorreu no dia 13 de abril, portanto, 14 dias depois do anúncio. Em relação ao prefeito, os sentimentos demonstrados por Taísa não são os melhores. Ela repudiou o fato de Rocha usar seu projeto (sem pagá-lo integralmente) para pedir recursos federais para a obra cancelada. “O projeto está errado, tem falhas, está superfaturado e estão pedindo verbas com ele”, ironizou a engenheira, que não descartou a hipótese de processar a Prefeitura”. ACUSADOS Como seu marido, Marco Franceschi, e Virgínio Reis, Taísa foi convocada após ser indiciada pelo MP sob acusação de superestimar um projeto técnico para as obras de alargamento e aprofundamento do canal dos Bagres. A Betontest, empresa de Taísa, ganhou licitação para a elaboração do projeto. No mesmo processo, José Eduardo Corrêa, dono da FFC Engenharia, o ex-secretário de Planejamento Urbano, Wilson Teixeira, e o ex-presidente da Copel, Caetano Perobelli, foram também implicados pelo MP.

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