Mulheres vencem a deficiência para ter filhos


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AMOR MATERNO - Laila (de branco) abraça a mãe, Maria Geralda da Silva, com o filho Davi
AMOR MATERNO - Laila (de branco) abraça a mãe, Maria Geralda da Silva, com o filho Davi
Até os 15 anos de idade, Maria Geralda da Silva, 51, tinha problemas de visão, mas enxergava um pouco e conseguia assistir TV e ler revistas. Depois dessa idade, com problemas no fundo do olho, ficou completamente cega dos dois olhos. Sem enxergar nada, foi obrigada a reaprender a se alimentar, lavar roupas, andar com bengala e a fazer outras atividades “no escuro”. Ela conseguiu. A partir dos 34 anos de idade, precisou vencer mais limitações. Desta vez, para cuidar de outras três vidas, as dos seus filhos Laila, 17, Leila, 14, e Davi, 10. Geralda é um dos exemplos de mulheres que, mesmo com limitações, não foram impedidas nem perderam a coragem de realizar o sonho de viver a maternidade. Geralda criou três filhos. Parentes a auxiliaram até o umbigo dos bebês cicatrizarem. Depois, ela se baseou nas brincadeiras de boneca para cuidar das crianças. “Quando pequena, brinquei muito e lembrava de como era trocar roupa e fralda do corpo do nenê. É diferente, mas me ajudou a ter uma noção”. A mãe ainda é responsável pela maioria das tarefas domésticas, como lavar, passar, cozinhar e limpar a casa, mas Laila, Leila e Davi se tornaram ajudantes dela. “No banco, eles fazem as coisas para mim e são meus companheiros”, disse ela. A filha Laila diz que a deficiência da mãe desperta curiosidade das amigas. “Minhas colegas sempre perguntam como ela consegue fazer as coisas. É um orgulho ver tudo que minha mãe faz”. Maria Aparecida Mota, 31, mais conhecida como Cidinha, também perdeu a visão na adolescência, mas realizou o desejo de ser mãe. Teve dois filhos: Fransérgio, 11, e Francielli, 7. Engravidou aos 20 anos, quando fazia cinco anos que perdera a visão dos dois olhos depois de uma infecção nos olhos. O marido dela, Joaquim Mota Neto, 33, que é auxiliar de raio-x, não enxerga também. Ao noticiar a gravidez, alguns familiares ficaram preocupados com os cuidados do bebê por causa das limitações dos pais. “Engravidei do primeiro filho quando estava noiva. Casei grávida de cinco meses. Quando contei para meus pais, acharam uma loucura eu ser mãe, mas quis seguir com minha gravidez, ter meu filho. Sou muito feliz por isso”. Cidinha diz que, mesmo sem ver nada, não encontrou dificuldades para cuidar das crianças. “Quando criança, já cuidava dos meus sobrinhos e tinha prática com crianças. Meu tato é muito bom e pelo toque percebia se estavam limpos quando tirava a fralda. É ótimo ser mãe, eles são tudo para mim”. A sogra a ajudou nas tarefas com as crianças nos primeiros dias de vida deles. Hoje, o filho mais velho assumiu algumas funções. “Quando ele entrou na escola, contratei uma pessoa para auxiliá-lo nas lições de casa. Com a caçula, o próprio Fransérgio a ensina nas tarefas”, disse. Um dos episódios mais marcantes da infância dos filhos foi o tombo que Francielli levou. O irmão a empurrou do carrinho de bebê. Cidinha só ouviu o barulho seguido do choro alto da nenê. “Corri com ela para o hospital, mas estava tudo bem. A sorte foi ela ter caído sobre a grama do jardim. Crianças sempre passam muito susto em nós”. SEM ANDAR Para Elaine Cristina de Souza, 32, ficar grávida e cuidar de um bebê sobre uma cadeira de rodas foi mais complicado. Vítima de paralisia infantil no primeiro ano de vida, não consegue andar. [FOTO2] Ela gerou o bebê sentada, mas como fica com o corpo virado, ele se desenvolveu só de um lado e pressionava uma das costelas dela. “Doía demais. Além do preconceito das pessoas. Todo mundo queria ver meu filho quando nasceu para saber se era saudável, se ia andar. Superei tudo isso”. Denis Wilian, 7, nasceu prematuro, mas com saúde. “A única coisa foi que ele demorou a andar. Só aos 2 anos deu os primeiros passos. Hoje se desenvolve normalmente.” Quando nasceu, a ajuda de vizinhos e do marido, nos momentos em que não estava trabalhando, foram essenciais. Elaine não movimenta o braço esquerdo e não conseguia segurar a criança e andar com a cadeira de rodas. “As vizinhas que ajudavam a dar banho e trocar fraldas, pois meu marido trabalhava fora. Passei os primeiros meses deitada o dia inteiro na cama para amamentá-lo. Foi bem difícil, mas me sinto uma vitoriosa”. O Conselho Tutelar chegou a inspecionar os cuidados dispensados por Elaine a Denis. “Os conselheiros vieram na minha casa, mas constataram que sou capaz de criar meu filho, sim”. Feliz por ser mãe, um sonho de infância, não pensa em engravidar novamente. “Sempre agradeço tudo que Deus me deu. É maravilhoso ser mãe, mas vou ter só um filho. Dependi muito das pessoas para cuidar dele e elas sempre ajudaram de bom coração, mas não acho isso muito justo”. Geralda, Cidinha e Elaine são só três exemplos de mulheres especiais que vencem limites sempre, inclusive quando o desafio é ser mãe.

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