A sapateira Cleunice Benedito, 34, e o aparador de borrachas aposentado Arlindo Benedito, 34, tiveram paralisia infantil quando crianças e dependem de cadeiras de rodas para se locomoverem. Eles sentem as pernas, mas não têm força para suportar o peso do corpo, ficar em pé e andar. A deficiência, porém, não foi empecilho para terem uma filha. Juliane está com 6 anos.
Moradores no Jardim Luiza I são casados faz oito anos e comemoram a família que formam. “Fiquei muito feliz quando engravidei. Minha vontade era ser mãe e ter uma menina. Aconteceu do jeitinho que eu queria.”
A gravidez de Cleunice foi tranqüila. “Costurei sapatos até oito meses de gestação. A única coisa é que engordei demais. Não sei quanto, pois o médico não conseguia me pesar, mas foi bastante. Fora isso, deu tudo certo”.
Quando Juliane e a mãe receberam alta do hospital e foram para casa, a cunhada dela a ajudou a olhar a criança. Depois, o casal assumiu tudo. Uma das maiores dificuldades de Cleunice era na hora dos banhos. Até os oito meses ela o fazia sobre a cama.
Para encher a banheira, esquentava água no fogão e enchia um balde, que colocava sobre a perna e levava de cadeira de rodas até o quarto. “No banheiro era mais difícil para eu entrar.
Preferia sobre a cama”, disse a mãe. Eles conseguiram criar a filha e pensam em adotar um irmão para ela. “Meu marido quer ter um filho. Não vou engravidar de novo, pois tenho problemas de pressão alta e fico com medo, mas estamos pensando em adotar uma criança”.
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