História ameaçada


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Sem reformas, a casa, localizada na Rua Cônego Peregrino, em Patrocínio Paulista, está prestes a cair. As paredes estão desmanchando, os vidros, quebrados, e o telhado ameaça desmoronar
Sem reformas, a casa, localizada na Rua Cônego Peregrino, em Patrocínio Paulista, está prestes a cair. As paredes estão desmanchando, os vidros, quebrados, e o telhado ameaça desmoronar
A casa verde que ficava na Praça Centenário, em Patrocínio Paulista, já não existe. Foi demolida. De paredes altas e janelões, o imóvel tinha mais de 80 anos e era um dos mais antigos do município. Não resistiu à ação humana. O comerciante que comprou a casa há mais de um ano resolveu colocar a construção abaixo. Como o prédio não era tombado (protegido por lei), nem a Prefeitura, nem a Câmara e, muito menos, a comunidade pôde fazer alguma coisa. Na cidade, não há conselho municipal para defender o patrimônio histórico. A casa verde ficará apenas na lembrança. No lugar onde ela foi erguida, serão construídas três salas de comércio e, em cima delas, nove apartamentos. Como Patrocínio, nenhum município da região, com exceção de Franca e Batatais, tem um órgão com a missão de proteger construções e ajudar a preservar a história das cidades. Depois da demolição, o Departamento de Cultura e vereadores de Patrocínio passaram a estudar a possibilidade de se instalar um Condephaat (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico). “Como a casa não era tombada, a Prefeitura não poderia fazer nada para impedir. Como não temos um órgão especializado na preservação ambiental, não houve o que fazer”, disse Surlene Maria Devos Faleiros, assessora de Cultura da cidade. Há um ano, ela pediu à Câmara que aprovasse a criação de um conselho. “Ainda não obtive nenhum retorno. O pedido foi feito verbalmente. Depois dessa demolição vou mandar um ofício.” A presidente da Câmara de Vereadores de Patrocínio, Néria Buzzato (PT), diz também estar empenhada na preservação. “Esses imóveis fazem parte da história do município. Quando são destruídos, quem perde é a cidade. Entendo que restaurar é caro, mas precisamos preservar nosso passado.” Néria disse que, no município, existem outros imóveis que precisam ser protegidos. Um deles é o prédio que abrigava o antigo cinema. “Eu e outro vereador fomos até Brasília tentar conseguir verba para restaurar o prédio, mas fomos informados de que primeiro ele teria de ser tombado. Como não temos um conselho para fazer isso, fica difícil. A partir do que aconteceu, pretendo movimentar.” Em Pedregulho, o futuro dos imóveis mais antigos também preocupa. A cidade não tem um órgão focado somente nesse assunto. “Acredito que mais de 30 imóveis da cidade poderiam ser tombados. Se não fizermos nada para preservar essas edificações, o nosso patrimônio histórico pode acabar”, disse Nilbe Vilela, diretora de Turismo de Pedregulho. Na opinião dela, toda a região central da cidade mereceria uma atenção especial. Mesmo não estando tombada, a antiga Estação Ferroviária passou por uma restauração completa. No local, foi instalado o Centro Cultural. Em Franca, a história é bem diferente. Em 1981, foi criado o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico de Franca). O órgão nasceu três meses depois da demolição do antigo Hotel Francano. “Infelizmente, essas discussões só começam depois de uma grande tragédia”, disse a presidente do Condephaat, Graziela Alves Corrêa. O trabalho do conselho tem dado resultado. Desde a criação, 20 bens foram tombados. “Felizmente, atualmente as pessoas estão mais sensíveis e cobram.” A lista deve crescer. O Condephaat está com oito processos abertos e outros três estão em estudo. A lista é mantida em segredo. “A informação não pode vazar para não atrapalhar o processo”, disse Graziela. Em Franca existem seis imóveis que não são tombados e são conservados pelos donos. Para Graziela é um exemplo que deveria ser seguido. Colaborou Melissa Toledo

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