O local e a causa foram os mesmos. A dimensão, de assustar. De novo, a curva da morte e um caminhão sem freio. Outro capotamento com vítima presa às ferragens. Desta vez, a sorte evitou que o traiçoeiro trecho da Rodovia Cândido Portinari, na serra de Rifaina, voltasse a matar. Apesar do susto e de ter ficado retido debaixo do veículo por mais de uma hora, o motorista conseguiu escapar quase que ileso. Nem sempre foi assim.
Leandro dos Reis Resende, 24, deixou São Sebastião do Paraíso (MG) no fim da madrugada com um caminhão Mercedes Benz azul carregado de cimento. Pretendia levar a carga para depósitos em Araxá (MG). Por volta das 8h30, cruzou Pedregulho com destino a Rifaina. O roteiro do acidente é semelhante ao de dezenas de outros já ocorridos no fatídico quilômetro 459 da Cândido Portinari.
Quando começou a descer a serra e fazer as curvas fechadas, o motorista perdeu o controle de direção, possivelmente por causa da falta de freios. O veículo bateu na proteção de concreto no ponto conhecido como curva da morte - por pouco não caiu na ribanceira - e tombou no meio da pista, com as rodas para cima.
Alguns sacos de cimento ficaram esparramados pelo acostamento.
Com o capotamento, Leandro ficou preso às ferragens, sem poder se mexer. Os bombeiros trabalharam cerca de uma hora e usaram equipamentos apropriados para cortar as barras de ferro e soltá-lo. Durante o resgate, adotaram a técnica de conversar com o vítima para mantê-la consciente. “O trabalho foi demorado em função da posição em que o motorista se encontrava, mas, felizmente, deu tudo certo. Ele foi socorrido com toda a segurança e não apresentava ferimentos externos”, contou o tenente Castilho.
O motorista foi levado à Santa Casa e submetido a exames mais detalhados para saber se sofreu fraturas ou complicações internas. Ele permaneceu internado em observação e foi liberado no fim da tarde de ontem.
Foi o primeiro acidente violento ocorrido na curva da morte em 2007. O último havia sido em dezembro passado, quando um caminhão carregado de frangos perdeu os freios e capotou no meio da pista. O motorista também conseguiu escapar com vida. Em fevereiro de 2006, dois ocupantes de um veículo não tiveram a mesma sorte e perderam a vida a caírem na ribanceira. O acidente mais grave, no entanto, ocorreu em maio de 2002, quando 20 estudantes da Unifran morreram após o ônibus em que estavam capotar na serra.
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