Desenvolvimento social e cidade saudável


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A vulnerabilidade social deriva de uma complexidade de fatores que se reforçam uns aos outros. O tecido social convive com situações-limite de incríveis força e vigor, se apequena e se acovarda e garante a escalada da rede de violência que aí está. O tratamento sistêmico das questões sociais tem sido o grande desafio de nosso tempo. As intervenções são fragmentadas, logo ineficientes, sobrepostas e onerosas, não produzindo resultados esperados. Na década de 70, foi desencadeado um movimento por cidades saudáveis, expresso na carta de Otawa, de 1986, e pelo qual se deu a evolução da noção da promoção da saúde, até então tarefa da Medicina, para a ênfase nas ações sobre o estilo de vida, através de uma ação intersetorial e de políticas públicas também saudáveis, capazes de transformar a cidade num espaço de produção social da saúde. A cidade saudável tornou-se parte de um conjunto de políticas urbanas, difundidas pela ONU, Habitat, PNUD e UNICEF, definida como ‘aquela que está criando e melhorando os ambientes físico e social, fortalecendo os recursos comunitários, permitindo às pessoas se apoiarem mutuamente, desenvolverem seu potencial e melhorar sua qualidade de vida’. Pólos de Reabilitação Comunitária poderia ser o nome fictício para um projeto cujo objetivo seria fornecer ao cidadão uma maior capilaridade e oferta de serviços públicos e essenciais, no bairro ou região, que lhe proporcionassem melhor acessibilidade e oportunidade de convivência, fortalecendo laços na família e gerando fraternidade na comunidade em que vive. A idéia de uma cidade saudável tem pontos em comum com a agenda pública contemporânea como: comunidades solidárias, cidades sustentáveis, cidades iluminadas, agenda 21 local (envolvendo aspectos sócioeconômicos, preservação ambiental, qualidade de vida) todas tendo como meta o desenvolvimento humano de forma sustentável, através do planejamento e da ação intersetorial. A intersetorialidade, cuja tradução pode ressignificar e redesenhar a vida do cidadão, numa perspectiva ética, comprometida, sobretudo com as camadas mais necessitadas da população. Uma nova abordagem dos problemas sociais, enxergando o cidadão em sua totalidade, estabelecendo uma nova lógica para a gestão das cidades, superando a forma segmentada e desarticulada como são realizadas as diversas ações públicas. As políticas públicas são encapsuladas nos vários nichos setoriais, e sobremaneira, nos nichos das vaidades políticas principalmente. E rede não tem dono, não tem holofotes particularizados. Um por todos e todos por mim! Pensar Franca no futuro dentro dessa nova lógica de gestão da cidade constitui um dos grandes desafios do Neplaf - Núcleo de Estudos, Pesquisas e Planejamento de Franca - uma construção coletiva, que pode constituir a resposta que esperamos, numa cidade que queremos saudável e socialmente responsável. Não basta vontade política, mas, sobretudo, visão social inovadora, pautada na ‘dimensão ética de incluir os ‘invisíveis’, os transformados em casos individuais, enquanto são parte de uma situação social coletiva: as diferenças e os diferentes, as disparidades e as desigualdades’ – LOAS/93. PAUSA PARA O CAFÉ Ovídio Luiz Mariano Sebrão, guardião da Casa do Aconchego, um equipamento social da Prefeitura Municipal de Franca que atende vitimados da violência e negligência, de 0 a 10 anos e 11 meses. Poucas vezes ouvi de homens depoimento tão sincero e emocionado, posto que custam a entregar o jogo da emoção. ‘A Casa do Aconchego é a extensão da minha casa e a extensão do meu amor pelo meu enteado Ygor, meu filho João Victor, multiplicado’. Parabéns ao querido colunista Higininho, do Comércio, em seu inteligente e delicioso programa de TV, no canal 9. Café com gosto de amor, e perfume de hortências lilases com três gotas de emoção. PARABÉNS PELOS 11 ANOS DE VIDA! O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de idade nova. Não decolou, carece de práticas políticas inovadoras. Está atrelado ainda aos Fóruns, ONGs e Conselhos. É preciso romper este paradigma, socializar uma legislação que foi semente plantada por muitos, tornando-se planta e quase morreu por falta de regadores. Os que continuam de regador na mão são os incansáveis, os desinstalados que crêem na força regeneradora do Amor. Parabéns ao Conselho Municipal de Franca, suas ONGs e Conselho Tutelar, este herói do dia-a-dia em que enfrenta a violência de um cotidiano triste. UMA HISTÓRIA PRA CONTAR! A Educação como política pública está mais próxima da criança-cidadã, que se apossa de seu direito quando vai à escola. Os mestres sabem ler naquele rosto uma história pessoal. Direitos que não foram concedidos, como proteção a partir da gestação como preconiza o ECA, e muita história para contar! Cada mestre, neste momento, constitui expectativa de esperanças renovadas. Mestre, ativista de uma causa que extrapola a sala de aula. Ouvidos de ouvir, coração para sentir, força e muita coragem para lutar! Uma rede de solidariedade e eficiência que pode salvar!

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