Uma das grandes discussões atuais é sobre o risco de um novo apagão no setor elétrico. Recentemente, o Instituto Ilumina Brasil preparou um trabalho jogando para mais de 30% a probabilidade de um novo apagão até 2011. Responsável pelo planejamento do setor e pelas estimativas de oferta e demanda de energia, Maurício Tomalsquim, presidente da EPE (Empresa de Planejamento Energético) discorda das avaliações do Instituto.
Segundo Tomalsquim, o trabalho não levou em consideração os seguintes fatos:
1 - Em 26 de junho passado houve leilão de energia até 2010. O estudo do Acende Brasil não levou em consideração a energia vendida, dizendo não saber quanto iria entrar no sistema. Na dúvida, considerou como zero a nova oferta de energia.
2 - Não teria levado em conta o fato de grandes consumidores de energia estarem adquirindo energia diretamente dos produtores. O último leilão de energia alternativa não foi considerado como bem sucedido, admite Tomaslquim. Mas não se considerou o que teria ocorrido. Para o leilão, muitas usinas de PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas) tinham depositado até garantia financeira para o leilão, o que demonstraria que os preços eram atrativos. Mas não “bidaram” (fazer o lance). A EPE foi investigar e constatou que algumas grandes empresas, como a Companhia Vale do Rio Doce, haviam feito proposta de compra da energia dessas PCHs. Para a matriz energética brasileira, o aumento da oferta foi a mesma do que se todas essas PCHs tivessem colocado sua energia no leilão.
3 - O Instituto também considerou como nulo o resultado do próximo leilão de energia do próximo ano, que visará comprar energia para 2011.
Há outras duas válvulas de segurança que deixam a EPE tranqüila. Nos próximos dias será aprovado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico um novo critério de despacho das usinas térmica, preparado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema), aumentando a segurança do sistema. Hoje em dia, o despacho (autorização para venda) é por ordem de mérito. Existe um custo marginal do sistema, da energia descontratada negociada no mercado à vista.
Se tem mais água nos reservatórios, o custo cai; com menos água, o custo sobe. Hoje em dia, está por volta de R$ 130 o mw/h. A EPE ‘despacha’ toda termoelétrica cujo custo de operação seja inferior a R$ 130. As termos mais caras ficam paradas. O critério, portanto, é puramente econômico. Com a nova regulamentação, a idéia é criar um seguro anti-apagão. Vai se calcular qual seria o pior período de hidrologia da história. A partir desse cálculo, paga-se o que for necessário para as termo, para que os reservatórios suportem essas situações de pleno stress.
Outro elemento, que foi incluído no conjunto de leis aprovadas no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), permite contratar energia de reserva, mesmo que a oferta e a demanda estejam estruturalmente empatadas. Obviamente não se pode exagerar nesse seguro, porque significará um aumento no custo da tarifa. Mas, de qualquer modo, Tomalsquim garante que energia não faltará.
TEJOFRAN
Uma das empresas de maior influência no governo de São Paulo nos últimos anos, a Tejofran, acumulou contratos da ordem de R$ 400 milhões com o governo do Estado, e passou a ter bastante influência na CDHU. Aparentemente, essa influência será bastante reduzida no governo José Serra. A empresa sempre teve ligações estreitas com políticos como Goro Hama, Sérgio Kobayashi e Arnaldo Madeira.
SERVIÇOS
Nos últimos anos, até por conta da redução das obras públicas, os empreiteiros foram substituídos pelas empresas de serviço, nas relações com governos estaduais e federal. Em Brasília, a maior prestadora de serviços é a Federal, do ex-Ministro Eunício de Oliveira. Esse tema será dos mais relevantes no processo de busca de transparência nas ações governamentais, seja pelos Tribunais de Conta ou pela imprensa.
PRODUÇÃO AGRÍCOLA
Segundo o IBGE, em 2006 a safra total de grãos (cereais, leguminosas e oleaginosas) foi de 117,3 milhões de toneladas, 4,1% superior à de 2005. A estiagem reduziu em 5,2% a área plantada de grãos, interrompendo crescimento que vinha ocorrendo desde 2001. A soja foi o principal produto plantado, seguido do milho, com aumento de 21,5% na produção.
SORRISO
Sorriso, em Mato Grosso, foi o campeão da produção nacional de grãos, com 2,2 milhões de toneladas, 9,6% a mais do que em 2005. Responde por 3,4% da safra de soja brasileira. 16 dos 50 principais municípios produtores de grãos do país no Estado de Mato Grosso. O estado campeão continua sendo o Paraná, seguido do Mato Grosso (18,9%) e Rio Grande do Sul (17%). São Paulo ficou em sexto lugar, com 6% da safra.
REDESCOBERTA DA ÁFRICA -1
Empresários dos setores de alimentos e bebidas, construção civil, máquinas e equipamentos, utilidades domésticas, decoração, bijuteria, confecção e móveis estão atrás de Angola. 41 empresas brasileiras acabaram de participar da 24ª Feira Internacional de Luanda, evento multisetorial que terminou no último dia 15 de julho. Com o fim da guerra interna, a economia do país está atraindo as atenções.
REDESCOBERTA DA ÁFRICA - 2
Em 2000, o Brasil exportou apenas US$ 106,2 milhões para lá. No ano passado as exportações chegaram a US$ 837,7 milhões, sempre num gráfico ascendente desde 2000. Em seis anos, o crescimento foi de 688,79%. Este ano o volume deve ser ainda maior. Até junho, o Brasil exportou US$ 447,9 milhões, superando o valor registrado no mesmo período do ano passado que foi de US$ 363,5 milhões.
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