A notícia sobre o acidente do Airbus da TAM na última terça-feira trouxe lembranças à família da dona-de-casa francana Maria Lúcia Santos de Oliveira. Apesar de não ter nenhum familiar ou conhecido naquele vôo, a tragédia emocionou a família, que relembrou um outro acidente da mesma companhia, em que o marido de Maria Lúcia, José Alves de Oliveira, foi uma das vítimas fatais.
Além das lembranças, o inconformismo. Passados 23 anos, a família não recebeu R$ 1 sequer da empresa. O acidente ocorreu em 7 de outubro de 1983, em uma das pistas do aeroporto de Araçatuba. O avião Bandeirante vinha de Campo Grande (MS) e, a após duas tentativas de aproximação, a tripulação resolveu arriscar uma nova tentativa. Com as condições visuais ruins, o avião colidiu com o terreno em curva, já próximo da cabeceira da pista. Sete das 20 pessoas que estavam no avião morreram, entre elas José Alves, que era supervisor da Arapuã e voltava de uma viagem de trabalho.
Maria Lúcia, na época grávida de seu terceiro filho, ficou sabendo do desastre pela televisão, com suas duas filhas, de 7 e 4 anos, presentes na sala. Ela conta que além do baque de perder o marido, a sua vida mudou profundamente. “Foi muito difícil criar meus filhos sem a presença de meu marido. O padrão de vida que tínhamos acabou. Não tinha como eu trabalhar porque as crianças eram pequenas e ainda estava grávida”. A pensão que a dona de casa recebia, de dez salários mínimos, logo caiu para R$ 1.2 mil devido às mudanças de moeda.
A família entrou com um processo um ano depois e até hoje não recebeu a indenização. De acordo com o advogado da família, Adalberto Griffo, a ação, com valor de R$ 1,2 milhão, já foi ganha. “A questão está decidida. Nós ganhamos e está no Superior Tribunal de Justiça. Eles entraram com embargo de declaração, mas a ação no mérito já está decidida.” O advogado diz, no entanto, que a espera já está com os dias contados. “Eu tenho uma palavra do ministro responsável que em agosto ele coloca na pauta e já decide”.
Mesmo que saia agora a decisão final, Maria Lúcia se diz inconformada com a morosidade da Justiça e com a falta de respeito da companhia aérea. “É revoltante. Quantos acidentes já foram depois do nosso. E ainda está desse jeito. Agora preciso mais do que nunca. Estou com 53 anos, a gente vai envelhecendo sem condições de nada”.
A filha do casal, Luciana Santos Oliveira, também se queixa do pouco-caso da TAM. “O que me deixa mais triste é a TAM utilizar a possibilidade de entrar com recursos para retardar o pagamento. Na época, um dos advogados da empresa disse que minha mãe não precisava da indenização, porque era nova (tinha 29 anos) e que poderia trabalhar.”
O Comércio entrou em contato com a assessoria de imprensa da TAM, que solicitou um e-mail com os questionamentos a respeito do caso. As perguntas foram enviadas e, até o fechamento da edição, não havia resposta.
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