Marcela completa hoje oito meses de vida e ganha CPF


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Marcela de Jesus Ferreira, que já fica sentada sozinha por alguns minutos, segura o CPF que ganhou recentemente
Marcela de Jesus Ferreira, que já fica sentada sozinha por alguns minutos, segura o CPF que ganhou recentemente
Marcela de Jesus Ferreira venceu mais um mês. A bebê, que nasceu sem cérebro em Patrocínio Paulista, completa hoje oito meses. A criança surpreende ao chegar tão longe. Os médicos não acreditavam que Marcela sobreviveria às primeiras horas de vida. O bebê está bem e se alimenta normalmente. A última vez que esteve no hospital foi em junho, quando teve cólicas. Marcela também ganhou CPF (Cadastro de Pessoa Física) e poderá receber pensão do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social). A mãe, Cacilda Galante Ferreira, entrará com o pedido na próxima semana. “Estou esperançosa. Vai dar certo”. Nestes últimos trinta dias, os primeiros dentinhos de Marcela começaram a nascer. “Ela tem estado bastante agitada. Chora muito e fica querendo morder”. A criança também já senta sozinha e consegue ficar sem encosto por alguns minutos. Ainda receosa, a mãe prefere colocar travesseiros para proteger a filha. “Na hora que estou assistindo televisão, ponho ela sentada no sofá. Ela fica quietinha. Não estranha o barulho”. Nessas horas, a mãe aproveita para tirar a filha um pouco do capacete de oxigênio. “Ela chega a ficar até duas horas respirando sozinha”. Aproveitando disso, recentemente Marcela fez o seu primeiro passeio. “Levei ela na casa de uma amiga. Foi muito bom”, disse Cacilda que mora sozinha com a filha no Bairro do Marumbé há três meses. A rotina de Marcela se mantém a mesma. Logo que acorda toma banho e se alimenta com 120 ml de leite (a cada três horas). Durante o dia, ela ainda bebe suco e come papinha feita de frutas ou legumes. “Ela toma via sonda ou na colher. Também dou água na colher”. Para Cacilda, as afirmações médicas de que Marcela não conseguiria ter sentimento nem se relacionar com as pessoas não condizem com a realidade da bebê. “Eu fico muito chateada quando os outros falam que a Marcela não tem vida e não sente nada. Eu sou mãe e fico com ela 24 horas. Só eu sei como ela é e como age. Ela sente sim. É um ser humano... O que as pessoas deveriam ver é que eu não a abandonei no hospital como outra mãe poderia ter feito. Para mim, é um privilégio Deus ter me escolhido para cuidar dela”, desabafou.

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