Um bebê normal aos oito meses de vida, mesmo mamando, já come outros alimentos. Fica sentado sozinho e sem apoio. Começa a engatinhar e até tenta ficar em pé se apoiando em móveis. Gosta de brincar com qualquer objeto que ganha e leva tudo à boca.
Marcela de Jesus Ferreira, bebê que nasceu sem cérebro em Patrocínio Paulista, não é assim. Ela se desenvolve mais devagar. No seu tempo, ela está crescendo e engordando.
Uma criança normal ao oito meses pesa, em média, dez quilos.
Marcela está com sete. Ela também não leva o pé à boca para brincar como outras crianças fazem. Cacilda Galante Ferreira, a mãe, faz questão de dizer que a filha sempre coloca as mãos na boca. “Agora, então, que os dentinhos estão nascendo, faz isso direto”.
Marcela também abre a boca quando está com sono e chora sempre que algo a incomoda. Também estica as pernas e os braços. Como toda criança, gosta de água. “Ela reclama quando sai do banho”, brinca a mãe.
Cacilda mantém a fé. Afinal, ninguém imaginava que a filha dela chegasse tão longe (a previsão dos médicos era que ela não sobreviveria mais de dois dias). “Tenho esperança de vê-la engatinhar. No começo eu achei que ela não produziria nenhum som. Hoje ela chora tão alto que até a vizinha escuta. Mas se isso não acontecer, não vou ficar frustrada nem triste. Vou aceitar a vontade de Deus”.
Marcela continua sendo acompanhada pela médica pediatra, Márcia Barcellos, que cuida da criança desde o nascimento. Cacilda não pensa em levar a filha para ser examinada por outro especialista. “Ah! Ela está bem de saúde. Acho que não tem necessidade”.
Nos próximos dias, a criança será levada a Santa Casa para ser pesada e medida como faz todos os meses desde que saiu do hospital em abril.
Hoje não terá festa na casa de Cacilda. A família só a visitará no domingo como acontece todo fim de semana.
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