O céu é o limite


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Pipas invadem bairros periféricos de Franca durante as férias de julho e viram principal lazer para milhares de crianças
Pipas invadem bairros periféricos de Franca durante as férias de julho e viram principal lazer para milhares de crianças
Papel colorido, sacola de plástico, vareta, linha, cola e tesoura. Esses são alguns dos materiais usados pela garotada na hora de montar suas pipas. Se ela vai arrasar pelos céus, só o vento é quem sabe. É um brinquedo fácil de fazer e parece estar tomando espaço do vídeogame e do futebol nestas férias, principalmente nos bairros periféricos de Franca. Basta olhar nos terrenos e pastos abandonados para ver a quantidade de crianças com alguma pipa na mão. Algumas papelarias as vendem prontas, mas, para garantir a diversão do início ao fim, a criançada gosta mesmo é de fazê-las. O estudante Leonardo Antônio Ferreira, de 12 anos, tem vários modelos de pipa em sua casa. “Tenho dez pipas diferentes e gosto de todas”, disse. Nas férias, Leonardo também brinca de bola e esconde-esconde. “Mas pipa é bem mais divertido”. Como ele, a maioria dos seus colegas também demonstra a preferência. Mauro Júnior Rodrigues Silva, 11, é um deles. O estudante tem seis pipas e sai para brincar todos os dias. “A melhor época é agora. A cada dia, eu brinco com uma diferente”, disse. Não há segredos para empinar uma pipa. “É muito fácil. Mas se não tiver vento, ela não sobe de jeito nenhum”. Os nomes também são bem variados. “Tem a pipa cruzeta, albatroz, carambola, borboleta, índio, entre outras”, disse Marshall Henrique Belgassio, 12, enquanto empinava uma pipa no Jardim Paulistano. O preço de cada pipa varia pelo tamanho e pelo material usado. Se for mais simples, com papel de seda, linha de costura, vara de bambu e sacolinha plástica, custa em torno de R$ 1. Já as pipas mais detalhadas e coloridas, com linhas mais grossas e uma armação maior, pode custar até R$ 10. Mas embora pareça uma brincadeira inofensiva, empinar pipa inspira alguns cuidados. O uso da linha com cortante (cerol) aumenta nessa época, por conta das férias. Segundo o Corpo de Bombeiros, como nessa época tem bastante vento e as crianças ficam com mais tempo livre, a proliferação do cerol (feito com cacos de vidro moído e cola) na brincadeira cresce consideravelmente, causando grande perigo para motociclistas e ciclistas. “Os pais devem atentar e ensinar seus filhos a não usarem o cortante”, disse o sargento dos bombeiros, Victor Manuel de Matos. Deise Regina Cristiano, 37, é mãe de uma criança de 13 anos e afirma que sabe dos perigos e sempre alerta o filho antes que ele sair de casa para brincar. “Todo dia falo para ele tomar cuidado na rua. Sempre oriento ele a não usar cerol”, disse. Seu filho, Bruno Cristiano de Carvalho, se defende. “Não uso. Saio para brincar às 14 horas e volto apenas às 18 horas, mas não uso”, relata. Sua mãe também tem medo de fiações e diz que fala para o filho brincar em terrenos desertos. “Áreas centrais, nem pensar. É muito perigoso”.

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