Unir o útil ao agradável. Este ditado é seguido à risca pelo recenseador José Roberto Monteiro da Silva, 50. Desde abril, Monteiro está percorrendo a zona rural de Franca para coletar informações para o censo agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O recenseador não ficou satisfeito em apenas coletar informações. Ele está registrando tudo o que vê em uma máquina fotográfica. Ao final da pesquisa, Monteiro quer compartilhar com outras pessoas as belezas e cenas que encontrou nas fazendas aos arredores de Franca.
O acervo já tem mais de 600 fotos e deve aumentar ainda mais até o fim da pesquisa previsto para o dia 31 de julho. O recenseador planeja fazer uma exposição das fotos e também cedê-las para o banco de imagens do IBGE.
Monteiro conta que a idéia das fotos surgiu ao se deparar com situações de que a maioria das pessoas não tem conhecimento. “Me deparei com paisagens belíssimas e coisas que a gente acha que não existem mais, como pessoas descascando arroz em monjolos (instrumento de madeira tocado com água) e café sendo torrado.
Não dava para não registrar. Eu tinha que mostrar isso para outras pessoas”, disse.
Nos últimos três meses, José Roberto já percorreu mais de 400 propriedades na zona rural de Franca no sentido Claraval e Ibiraci, ambas cidades mineiras. Nesta semana, ele visita as propriedades no sentido de Batatais. Nas andanças pela região, José Roberto encontrou de tudo. Algumas situações nada agradáveis. “Foi atacado por cachorro várias vezes e por abelhas”, disse ele, mostrando ainda os sinais na mão.
Há ainda situações em que as famílias visitadas nunca ouviram falar em IBGE e muito menos na pesquisa do censo. É o caso do agricultor Expedito Bizzi, 68, que respondeu ao questionário do censo na manhã de ontem. “Tenho que explicar quem sou e o que estou fazendo ali para depois começar a perguntar. Mas as pessoas têm me recebido muito bem. A maioria oferece almoço e lanche”.
Para chegar até as propriedades, Monteiro utiliza carro ou moto. Mas ele não escapa de uma caminhada de vez em quando. “Muitas vezes me deparo com porteiras trancadas. Tenho que pular e andar. É sempre uma surpresa. Nunca sei quanto vou ter que caminhar e o que vou encontrar pela frente”.
Apesar de todos os contratempos, José Roberto Monteiro está adorando a experiência. “Eu como historiador não poderia perder essa chance. O censo é uma oportunidade valiosa para todo pesquisador”. Monteiro é não apenas historiador. Ele tem cinco faculdades. É formado em Economia, Direito, Ciências Contábeis, História e Artes Plásticas e está fazendo mestrado em História.
Monteiro ainda não sabe ao certo quanto receberá pelo trabalho, mas já tem destino para o dinheiro. “Vou comprar um notebook”.
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