Vivendo de minhoca


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Antônio Célio Pimenta mostra minhocas em chácara em Franca. Produção vira farinha de minhoca no Rio Grande do Sul e vai parar no exterior como suplemento alimentar de aves, gado, peixe e coelho, entre outros
Antônio Célio Pimenta mostra minhocas em chácara em Franca. Produção vira farinha de minhoca no Rio Grande do Sul e vai parar no exterior como suplemento alimentar de aves, gado, peixe e coelho, entre outros
Nem só para pescaria servem as minhocas. Um grupo de minhocultores da região de Franca tem conseguido até R$ 8 mil líquidos cultivando os simpáticos vermes, que são utilizados como suplementos em ração de animais para o mercado externo. É o caso de Concebida Spinandelli Alves, 50, dona de uma área de 514 metros quadrados no Vale dos Esquilos, zona sul de Franca. Ela trocou o cultivo de frutas há três anos pela cultura de minhocas. O projeto é coordenado pelo SAI (Sistema Agroindustrial Integrado) e envolve um grupo de seis minhocultores de Franca, Batatais e Cristais Paulista. As minhocas são vendidas desidratadas para uma empresa do Sul e chegam ao exterior em forma de farinha para peixes, gado, coelho e diversos tipos de ani-mais. Na China, o produto, que é rico em proteínas, é até utilizado na alimentação de humanos. A produção é menor do que a demanda necessária e o grupo tem planos de expansão. Concebida diz que a produção começou depois de um golpe há cerca de três anos. Um anúncio amplamente veiculado em Franca dizia que as pessoas poderiam comprar algumas minhocas, trabalhar na reprodução dos bichos e depois revendê-los. “Pagamos R$ 1,3 mil e a pessoa que fez o anúncio sobre venda de minhocas disse que compraria toda a produção. Acontece que depois do pagamento, ele desapareceu”. Sem saber como proceder com o produto e o que fazer com o resultado final, as “vítimas” buscaram ajuda no Sebrae, que incumbiu ao SAI de Franca, órgão ligado à entidade, a busca de uma solução. “Passamos a procurar possíveis mercados para escoar a produção e encontramos a Promin, em Lajeado no Rio Grande do Sul, que compra as minhocas desidratadas”, explicou Maycon Freitas, do SAI. A produção é simples, ou como diz o pedreiro Antônio Célio Pimenta, 59, que lida mais de perto com as minhocas, de “manejo tranqüilo”. Os canteiros são estreitos, cercados por telhas e cobertos por uma lona plástica preta. “Colocamos um quilo de minhoca por metro e depois da reprodução, que dura cerca de 35 dias, recolhemos três quilos por metro”, revelou Pimenta. Para esse resultado, as minhocas precisam de água e esterco. São, em média, cinco caminhões de esterco todos os meses. Cada um no valor de R$ 280. A rega ocorre pelo menos de uma a duas vezes por semana. “O canteiro precisa de 80% de umidade, por isso ficam cobertos para evitar a evaporação”, disse Raquel Spinandelli Alves, 24, que também ajuda a mãe na criação. Após o período de reprodução, as minhocas, da espécie Gigante Africana, passam por um processo de seleção. As maiores, que medem em média 15 centímetros, são separadas para a desidratação. As sessões de emissão de calor acontecem na própria chácara e duram quatro horas para um total de 60 quilos. Desidrata, elas ganham a estrada até o Rio Grande do Sul. “A empresa paga pelo quilo de minhoca viva R$ 10”, completou Concebida. Ela não quis revelar, contudo, quanto ganha pela desidratação. Segundo apurado pelo Comércio, as minhocas desidratadas são encontradas a R$ 50 o quilo no mercado brasileiro.

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