Wagner de Castro, 90


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Wagner de Castro
Wagner de Castro
Wagner de Castro nasceu em Franca, em 27 de julho de 1917, tendo aqui vivido cinco anos. Seus pais eram Mesophante de Oliveira Castro, dentista, natural de Delfinópolis (MG), e América Cintra, natural de Passos (MG). Eram seis irmãos, dos quais dois estão vivos. De Franca, a família Castro foi para Ribeirão Preto, onde Wagner estudou até a segunda série do primário. Em 1927 mudaram-se para São Paulo, onde Wagner começou a desenhar sozinho. Já adulto decidiu dedicar-se à pintura, mas freqüentou a escola de Belas Artes somente por dois meses, não se adaptando aos ensinamentos acadêmicos. Neste período conheceu Rebolo, Osir, Pennacchi e outros artistas que fizeram parte do grupo de pintores da “Família Artística Paulista”. Chegou a participar de salões oficiais a partir de 1937 e sobrevivia pintando retratos para personalidades da capital. Em 1939, indo visitar os avós maternos em Passos, ficou encantado com a pequena cidade, onde resolveu morar em 1944, o que acabou por afastá-lo definitivamente dos ambientes da produção artística moderna. Em 1953, foi nomeado professor de Desenho, Trabalhos Manuais e Modelagem para lecionar em escolas estaduais de Passos. Em 1964 fez sua primeira exposição em São Paulo, em uma Galeria de Arte na Rua Augusta, quando teve o primeiro contato com Pietro Maria Bardi, que o convidou para expor no MASP (Museu de Arte de São Paulo). Mas sua exposição seguinte aconteceu numa galeria de arte de Belo Horizonte (MG), em 1968. Após a exposição que fez em Franca, a nosso convite, na Pinacoteca Municipal em 1980, foi possível realizar o desejo de Bardi, com uma exposição no MASP, em 1981. Em 1983 fez exposição na Galeria de Arte do Teatro Nacional de Brasília e outra recentemente em Belo Horizonte no Museu da Pampulha. Aposentado em 1987, Wagner pode dedicar-se integralmente à pintura. Seu sonho era doar todas as obras de seu acervo particular para o patrimônio municipal, sonho que realizou ao doar 37 obras para a criação do ‘Espaço Artístico Wagner de Castro’, que funciona na Casa da Cultura da cidade, que conta hoje com 57 obras de grandes proporções, em pintura a óleo sobre eucatex. Diferentemente do espanhol Salvador Dalí que, além de artista, era um protagonista de atitudes provocadoras, radicais e excêntricas, Wagner de Castro é humilde, tímido e contemplativo. Nunca se preocupou em divulgar sua obra no sentido de ter sucesso, nem por vaidade pessoal. Mas se a diferença entre ambos é de caráter, no quesito competência e ousadia nas telas os trabalhos se equivalem. Quanto à criação, suas figuras surgem de maneira intuitiva, como em Bosch e, diferentemente de Dalí, que colocava as figuras obedecendo a um esquema consciente. Com uma linguagem que transita entre o surrealismo, simbolismo ou realismo, Wagner, por estar isolado dos locais de agitação cultural, desenvolveu um estilo próprio. Segundo Pietro Maria Bardi, é um dos raros representantes do simbolismo no Brasil. Filho de pais espíritas, acostumou-se a ler investigando respostas às suas buscas espirituais. Com o decorrer dos anos, começou a pintar temas inspirados na doutrina espírita, de maneira didática e com mensagem explícita. Diz que “a arte deve ser educativa, deve auxiliar a formação do homem. Gostaria de contribuir para a divulgação dos princípios espíritas”. À frente da paisagem passense e do céu sempre de um azul intenso, surgem as figuras humanas, sempre alongadas e de pele rosada, produzindo cenas que transmitem a doutrina espírita. Há os seres fluídos, que sobrevoam os céus, os homens mortais na terra. Em geral, os maus espíritos estão abaixo do chão: são os seres do “mal”, disputando forças com o “bem”. Ambição, luxúria, ira, feiúra, angústia, escravidão, remorso, mentira, se contrapõem ao amor, felicidade, alegria, paz, beleza, virtude, liberdade, triunfo, verdade, humildade, contemplação, sacrifício, piedade, inocência, caridade. As séries se sucedem: Luzes e Sombras, O Lado Oculto, Cósmica, Miscelânea, Virtudes. O artista, que nunca se interessou por quaisquer escolas, nem buscou modificar valores pictóricos ou ser revolucionários mas sempre buscou as mensagens espirituais, elaborou em sua obra um conteúdo que fala através de formas e cores. Todo dia, sempre em passos tranqüilos e suaves, o pintor Wagner cumpre um ritual: das 13 às 17 horas vai para o Espaço Artístico que leva seu nome, orientando uma média anual de dez alunos e ainda encontra disposição para executar novos trabalhos. No período de 23 a 27 de julho, na Casa da Cultura de Passos (Praça Geraldo da Silva Maia, s/n) serão realizadas diversas homenagens ao pintor nascido em Franca, que completa 90 anos. Constam da programação visitas ao Espaço, a incorporação de alguns novos trabalhos e a exibição do documentário Wagner de Castro - Vida e Obra com roteiro do escritor e jornalista Marco Túlio Costa e imagem e edição de Itamar Bonfim.

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