Rafael Lemes de Pádua não nasceu com as limitações, mas aprendeu a conviver com elas. Ele gosta de chegar da loja de auto peças em que trabalha, repousar um pouco e ir de carro para a Atlanta Academia. Ao chegar, cumprimenta os amigos que já estão malhando e retira os pesos para trabalhar os braços. Nos aparelhos, passa duas horas todos os dias fazendo musculação. Ao chegar em casa, costuma nadar. A rotina seria normal para um jovem de 26 anos; a diferença é que Rafael é paraplégico e depende de uma cadeira de rodas para andar.
O rapaz tinha 19 anos quando conheceu o que é viver sem ter o movimento das pernas. Ele estava com amigos quando sofreu um acidente de carro em 2000 na estrada de Ibiraci. O motorista perdeu o controle, o veículo capotou e a parte em que estava sentado no banco de traz se chocou com uma rocha arremessando-o para fora do carro. Rafael sofreu uma lesão na medula e ficou paraplégico.
Durante um ano após o acidente, tinha esperanças de voltar a andar. “Quando a ficha caiu e percebi que era irreversível, comecei a aceitar melhor e resolvi a aprender a viver com a deficiência. Me adaptei.”
Hoje, o jovem é independente. O carro é adaptado com acelerador e freio manuais. Com o veículo, ele vai para o trabalho e para a academia. Rafael utiliza uma cadeira de rodas própria para motorista de montagem mais prática e, sozinho, desce do carro, arma o aparelho e se dirige para os locais de destino.
Além do emprego e musculação, gosta de treinar corrida em cadeira de rodas na pista do Ginásio Poliesportivo, ir a churrascos e pagodes. “O convívio social é importante para mim.”
Segundo ele, namoros são mais esporádicos. “Sei que a cadeira de rodas espanta um pouco, mas aprendi a lidar bem com isso. Antes sofria mais, mas não sou complexado não. De jeito nenhum.”
Outra atividade que o jovem gostaria de incluir no seu dia a dia é o basquete. Rafael aproveita para convidar outros cadeirantes para montar um time. “Gosto muito de jogar bola, mas não consegui outras pessoas para participar de um time.”
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