Ricardo e Rafael são jovens, dispostos, dedicados e apenas dois exemplos de muitos jovens que nasceram com limitação ou a adquiriram, mas que não deixam a peteca cair. Para eles, superar dificuldades é um desafio diário, vencê-las, uma conquista.
Um lápis, uma folha de papel em branco e poucos minutos são suficientes para Ricardo Augusto Dalmazo, 24, transformar os traços de uma pessoa em caricatura. “Olho o que mais chama atenção no rosto, o que é maior, e destaco nos contornos que faço para brincar e deixar o desenho engraçado.” Ricardo nasceu com retardo no desenvolvimento neuropsicomotor, mas as limitações não o impedem de explorar o dom para a arte.
Descobriu o talento para desenhos há cerca de nove anos. Suas produções começaram com HQs (histórias em quadrinhos), mas uma dor nas mãos, que não sabe explicar o que é, fez migrar para caricaturas. “Os traços são maiores e mais retos, assim consigo fazê-los.”
Antes da mudança, criava os personagens e as histórias, especialmente sobre selvas, bichos e deserto. “Gosto dessa parte de natureza”. Hoje, costuma fazer caricaturas de políticos e artistas a partir de fotografias publicadas nos jornais, além de funcionários da Apae (Associação de Pais e Amigos do Excepcional), seus chefes e do prefeito Sidnei Rocha.
Ricardo fez curso de desenho durante seis meses em 1998 e quer se aperfeiçoar mais, mas não pensa em fazer das caricaturas uma fonte de renda. “É mais uma forma de distração. Às vezes, fico até meses sem desenhar.”
O rapaz estudou até a 7ª série em escola normal e, a partir de 2000, começou atendimento na Apae. Depois de um ano, os profissionais da entidade perceberam suas habilidades e o encaminharam para o mercado de trabalho. Trabalhou na Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), Unifran (Universidade de Franca) e Metal Letras, empresa de fabricação de placas, mas não continuou nos empregos. Hoje, prefere ajudar o pai, que é chaveiro, no atendimento aos clientes. “Na Cetesb, carimbava os processos e na universidade, tirava xerox, mas achei melhor ficar só em casa”, disse.
Nos momentos em que não ajuda o pai, Ricardo se dedica ao trabalho voluntário. Praticamente todos os dias, exceto às quartas-feiras, é assistente do professor de música da Apae e faz apresentações de coral para os alunos da associação. “Cantamos várias músicas, principalmente infantis para as crianças. É bom, muito bom. Elas gostam”, disse ele, que fica entre duas e cinco horas diárias na associação.
O desenhista ainda participa da fanfarra da Apae com apresentações em desfiles de 7 de Setembro, em outras escolas e na festa de San Genaro. “Toco o fuzileiro. Sou o primeiro da turma”, orgulha-se.
Quanto a outros passeios, diz que não gosta; prefere ficar em casa. “Sou quieto, não gosto da noite. Os vizinhos são meus amigos. Não gosto de internet.”
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