Dois amigos se encontraram no fim da tarde de ontem para acompanhar o sepultamento do mecânico Carlos Eduardo Guilherme, 27, que morreu no domingo vítima de acidente de trânsito. Na porta do cemitério, avistaram a sapateira Josimara Aparecida Rodrigues da Cruz, 19, do outro lado da avenida e a chamaram para conversar. Ela foi atravessar a via e não prestou atenção ao fluxo de veículos. Foi atropelada e arrastada por um ônibus de transporte escolar. A mulher morreu ao dar entrada na Santa Casa. Estava de casamento marcado para o próximo dia 4.
O acidente fatal aconteceu um dia após ser realizada em Franca uma manifestação com centenas de ciclistas com a finalidade de conscientizar pedestres e motoristas dos perigos do trânsito local (leia matéria na página A-4). Eram 17h30 e o tráfego, intenso na Avenida Tristão Dalmeida, Distrito Industrial.
Dezenas de pessoas se aglomeravam diante do Cemitério Parque Jardim das Oliveiras para acompanhar o enterro de Carlos Eduardo. “Eu estava com minha amiga na calçada e avistamos a Josimara do outro lado. Chamamos ela para conversar. Ao tentar atravessar, foi atropelada pelo ônibus e arrastada por alguns metros. Acompanharia o sepultamento de um amigo e vi outra morrer. Estou chocado”, disse o sapateiro Rodrigo Cardoso dos Santos, 22.
O ônibus envolvido no atropelamento transportava 15 estudantes de uma escola para o Jardim Esmeralda. Exatamente em frente ao cemitério, o acidente. “A mulher avançou minha faixa e ainda buzinei para alertá-la. Quando olhou, ela se apavorou e correu para frente do ônibus. Freei, mas não teve jeito de evitar o acidente. Eu estava devagar. Isso, nunca aconteceu comigo. É ruim demais”, contou João Batista da Silva, 41, motorista há dez anos, quatro dos quais na escola em que trabalha.
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Apesar do susto, as crianças não se feriram. Josimara não teve a mesma sorte. “Não tive coragem de descer do ônibus para vê-la.
Se descesse, acho que não agüentaria. Quando bateu na frente, ela entrou debaixo do ônibus. Parei na hora. A roda de trás quase passou por cima. Faltou pouco”. Com ferimentos na cabeça, tórax e pernas, a mulher foi socorrida pelos bombeiros e levada em estado grave para a Santa Casa. Morreu logo após dar entrada no hospital. O futuro marido entrou em estado de choque ao ser informado. Amigos disseram que a sapateira estava retornando para casa no momento do acidente.
Josimara trabalhava em uma fábrica na região do Distrito Industrial e morava no Jardim Simões. O corpo dela está sendo velado na Igreja São Judas e será sepultado na tarde de hoje, em local a ser definido pela família, com trabalhos da Funerária Santa Bárbara.
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