Resina, cem mililitros de polímero, tinta para dar acabamento, duas horas no forno e está pronta a réplica de um órgão. Pode ser coração, cérebro, pulmão, fígado ou até mesmo fetos. A invenção é do anatomista da Unifran (Universidade de Franca) Luiz Soares Lima, 64, que, através do polímero, substância que dá origem ao plástico e ao PVC, criou mais de quarenta réplicas idênticas aos órgãos humanos. Com tamanhos naturais, em formatos e cores iguais aos reais, as peças têm surpreendido os especialistas da área pela proximidade que o material traz, em relação aos existentes no mercado que possuem estruturas ocas e sem riqueza de detalhes.
Sem curso superior, mas com mais de 45 anos trabalhando com anatomia, Luiz teve a idéia de construir as réplicas depois de uma visita que fez à USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto, no ano passado. “Lá o polímero é utilizado em peças de avião, navio e implantes. Então pensei: por que não usar para anatomia? Aí, trouxe de lá um pouco da substância para fazer alguns testes.”, disse Luiz.
Persistente, o anatomista começou a testar a substância em doses mais concentradas. “Percebi que ficava uma borracha macia que poderia ser moldada e há cinco meses venho criando as réplicas”.
Sua invenção tem sido muito útil aos alunos e professores de medicina de outras universidades e aos médicos que necessitam de réplicas para fazerem pesquisas, palestras ou mostrarem aos seus pacientes. “Antes eles tinham de usar órgãos retirados de cadáveres ou em réplicas feitas de plástico, que não têm nenhum detalhe”.
Para o coordenador do curso de Fisioterapia da Unifran, José Alexandre Bachur, as peças criadas por Luiz são muito parecidas com as humanas. “Com elas em mãos, o médico tem uma clara visão da situação clínica, pode planejar e simular intervenções cirúrgicas e modelar implantes exclusivos para cada paciente”.
Luiz Soares já fez coração, cérebro, crânio, fetos, entre outros. Agora quer montar um corpo inteiro. “Vai demorar uns dois meses até ficar pronto, mas acho que vai ficar bom”, diz.
Para confeccionar cada órgão, ele usa em média 100 ml do polímero. O litro custa R$ 102 e, segundo Luiz, dá para confeccionar de 10 a 12 órgãos. “Teve outras universidades que já fizeram pedidos de algumas réplicas”, diz.
O anatomista pretende agora patentear a descoberta e produzir em grande escala. As peças são modeladas por ele e custam de R$ 350 a R$ 1,5 mil, dependendo do tamanho e dos detalhes exigidos.
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