O engenheiro Virgínio Reis caiu em contradição, ontem, em seu depoimento à CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga o escândalo dos Bagres na Câmara. Ao contrário do que afirmara anteriormente, negou ter sido convidado pelo ex-secretário de Planejamento Urbano, Wilson Teixeira, a participar da licitação para elaborar o projeto técnico das obras no canal.
Aparentemente tentando “poupar” o ex-secretário, Reis conseguiu justamente o contrário: deixou ainda mais clara sua relação com Teixeira.
Embora tenha negado o convite ontem, no dia 9 de maio Reis foi incisivo ao afirmar, em entrevista gravada ao Comércio, que participou da licitação fraudada a convite de Teixeira. “Fui convidado pelo doutor Wilson para participar do projeto (...) Ele me ligou, estive no gabinete e acertamos os detalhes. Ele disse: ‘você quer trabalhar nos Córregos?’”, afirmou.
Agora, tentou minimizar a própria afirmação. Negou o convite de Teixeira, o qual diz ter sido somente um “comunicado”. “Recebi comunicado do senhor Wilson Teixeira dizendo que a Prefeitura abriria processo licitatório e me interessei (...) O secretário informou que a estimativa do valor do projeto giraria em torno de R$ 40 mil”, disse.
Como não tem empresa constituída, Reis disse ter procurado Taísa Franceschi, dona da Betontest Engenharia, para que, juntos, pudessem elaborar o projeto. A proporção da verba seria de 60% para Reis e 40% para Taísa. Com a licitação ganha, a dupla apresentou um projeto (que depois seria orçado por Marco Antônio Franceschi, marido de Taísa) e chegou a receber R$ 10 mil.
Dinheiro, aliás, que ainda não voltou para os cofres públicos. “Desconheço qualquer solicitação da Prefeitura para devolução dos valores”, disse Reis.
O engenheiro reprovou, ainda, a atitude do prefeito Sidnei Rocha (PSDB), que utilizou o projeto, mesmo com todas as suspeitas sobre o mesmo, para pedir dinheiro ao governo federal.
Disse “não concordar, visto que não foi realizado o pagamento total do projeto pela Prefeitura”.
Para o presidente da CEI, Silas Cuba (PT), o depoimento de Reis só solidificou o que já “estava claro”: o forte vínculo dele com Teixeira. “A contradição é até esperada agora. As primeiras declarações foram espontâneas. Agora, estava acompanhado por advogado. Ao meu ver, ele criou uma contradição para tentar aliviar seu lado”.
A proprietária da Betontest Engenharia, Taísa Franceschi, também seria ouvida ontem, mas com o longo depoimento de Reis, que durou mais de duas horas e meia, sua oitiva foi remarcada para sexta-feira.
A HISTÓRIA
Em dez de março deste ano, Sidnei Rocha anunciou investimentos de R$ 6 milhões em obras de contenção de enchentes. Poucos dias depois, teve de anunciar o cancelamento das obras por suspeita de fraude na licitação do projeto e superestimativa de gastos.
Paralelamente, o MP descobriu evidências de fraude com o objetivo de desviar R$ 1,2 milhão da Prefeitura e processou todos os eventuais envolvidos.
Assim, terão de responder à Justiça a proprietária da Betontest, Taísa Franceschi, seu marido, Marco Franceschi, engenheiro da Prefeitura; o engenheiro Virgínio Reis; o dono da FFC Engenharia, José Eduardo Corrêa; o ex-secretário Wilson Teixeira e o ex-presidente da Copel (Comissão Permanente de Licitações), Caetano Perobelli.
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