As drogas transformaram a vida de Alex (nome fictício), 30. Viciado em crack e maconha, ele perdeu o controle e não consegue mais cuidar da casa nem de si mesmo. Vivendo sozinho num lugar imundo, afastado dos familiares e sem emprego, Alex pede socorro. Ele quer ser internado numa fazenda de recuperação para se livrar do vício, conseguir um emprego e começar uma vida nova.
A casa de três cômodos onde mora no Jardim Luiza I está abandonada. O corredor de entrada foi tomado por sacolas de lixo e restos de comida. Na cozinha, sala e quarto, uma cama de casal, guarda-roupas e cadeiras foram quebrados por Alex quando estava sob efeito das drogas. Roupas, restos de alimentos e lixos também estão espalhados pelo chão. Os vidros da janela foram quebrados e as portas de ferro amassadas a pontapés por ele. “Não sei o que me dá. Nem vejo o que estou fazendo”, disse.
O rapaz mora sozinho há meses, desde que os familiares, receosos de suas atitudes enquanto viciado, mudaram-se para outra casa. “Quando você sente necessidade (da droga) e não tem, fica meio desesperado, agressivo, perde o controle o mesmo. Isso aconteceu comigo”.
A situação é tão crítica que ele mesmo diz que, às vezes, não consegue ficar no ambiente. “Durmo na rua de vez em quando. Fico dias sem voltar para casa”. Lá, dorme sobre um sofá de dois lugares, está com energia cortada e sem lugar para fazer comida.
Os familiares levam os alimentos para ele. “Ando demais pela cidade inteira quando estou ruim e não consigo voltar para casa. Em casa também está ruim”, disse.
Alex diz que começou a usar drogas faz três anos “porque estava em depressão”. “Tinha muita dificuldade para conseguir emprego, estava com dificuldades psicológicas, meio em dúvida das coisas, sem firmeza na vida, acabei entrando em depressão. Aí comecei a usar (drogas)”.
O jovem já esteve internado duas vezes em busca de recuperação, mas desistiu e abandonou o tratamento. “Acabei saindo. Não sabia bem o que queria, o que era bom para mim. Agora é diferente”.
[FOTO2]
Alex quer se internado numa clínica para dependentes químicos para se livrar do vício. “Preciso desviar minha mente, ler, ter mais espaço. Na fazenda, ficarei mais longe das coisas, lidando com pessoas mais vividas e que estão com o mesmo problema que eu. Essa é a vantagem”, disse. “Se for possível, quero ir para a fazenda. Mas não tenho dinheiro, minha família é pobre. Teria de ser gratuita”.
Alex também quer um trabalho. “Com emprego, você compra, come, bebe... Mas só consigo bicos”. Ele já trabalhou como sapateiro, servente de pedreiro e serviços-gerais. “Capino mato nos terrenos se precisar, trabalho na colheita de café...”. Depois do serviço, quer arrumar uma companheira. “Seria bom tentar uma família para dar uma ‘equilibradinha’ na vida”.
O OUTRO LADO
Alex é o quinto de dez filhos. Uma das irmãs dele, que preferiu não se identificar, desabafou com a reportagem do Comércio.
Disse que a família toda está sofrendo com o vício do irmão. “Quando a pessoa vai para o buraco com as drogas, leva todos os parentes junto. Tentamos ajudá-lo, mas não adiantou.
Chegou um ponto que ele estava agressivo demais e até ameaçou minha mãe de morte. Ela e meus irmãos saíram fugidos de casa, com medo dele. É um pesadelo”.
Os parentes chegaram a levar botijão de gás cheio e mantimentos para Alex se alimentar, mas ele vendeu. “Tudo que a gente levava, ele dava um jeito de vender ou trocar por droga. Ou então destruía. Agora, só levamos comida pronta porque assim ele não vende. Mas é longe da minha casa e da da minha mãe e nem sempre temos dinheiro do ônibus. É uma luta”.
Apesar da resistência que o irmão apresentou nas outras duas vezes em que foi internado, ela está confiante na sua recuperação. “Sei que ele chegou no fundo do poço e quer sair. É a vontade dele e, se ele quer mudar e lutar contra as drogas, assim fica mais fácil”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.