Alfredo Palermo
Especial para o Comércio
Uma manchete de primeira página do jornal Folha de São Paulo, do dia 9 de julho último, é de estarrecer todos os cidadãos probos deste País. Ela revela o teor do maior dos problemas do Brasil, nestas palavras: “Por hora, 7 jovens entram nas prisões do país”. E o subtítulo desse anúncio é até mais esclarecedor: “Dados inéditos do Ministério da Justiça apontam que 187 homens de 18 a 29 anos ingressam no sistema prisional por dia”.
Os dados revelados pelo ministro Tarso Genro são de criar um mundo de apreensões ao serem revelados, mas nenhum sinal de exclamação e de perplexidade foi usado: é daquelas revelações a que se daria o título terrível de “verdades nuas e cruas!”.
Esses dados preocupantes vêm seguidos de um comentário elaborado pela Secretaria Geral da Presidência, os quais detalham a malignidade da situação social, ao frisar pormenores: “Dos 50,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, 4,5 milhões são considerados em ‘estado de risco’, pois não têm o ensino fundamental e estão fora da escola e são desempregados”.
O povo, desinformado, sempre confia em medidas paliativas, mas, agora, na situação social presente, parece estar próximo de certas verificações preocupantes, fruindo momentos de júbilo e de distanciamento, pois certos fatos deslocam a atenção da realidade: de um lado, esplende-se a festa atlética dos Jogos Pan-Americanos, prenunciadores de uma Olimpíada em 2010; de outro lado, celebra-se a escolha da imagem do Cristo Redentor como uma das sete mais belas e novas maravilhas do mundo.
Na verdade, há que reconhecer: o Governo, que apura fatos e estatísticas, nunca passa do bla-bla-blá nos projetos de execução de atos de “salvação do ensino fundamental” no Brasil, base de cultura e de progresso nacional. O Governo Federal criou, na verdade, um grande projeto de desenvolvimento intitulado PAC, mas não o executa por incompetência e por desprezo.
Que fazer? Na verdade, todas as Câmaras Municipais, todas as Prefeituras e todos os deputados estaduais, além das ONGs educacionais, devem propor desafios ao governo federal, com todas as veras de sua crença na democracia. Sem isso - e sem espetar o sossego dos deputados federais - o País se transformará em milhares de “Complexos do Alemão”. Sem dúvida.
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