Há 10 dias o Comércio publicou uma matéria contando a história de Terezinha Fernandes da Silva. Ela, ao lado da filha Cícera Alves Pereira, havia conseguido, com a ajuda da Promotoria do Idoso, localizar o ex-marido e o filho que não viam há 48 anos. A reunião da família, depois de quase meio século de distância, foi acompanhado por uma equipe do jornal. Confira os detalhes do emocionante reencontro.
Sexta-feira, 13 de julho. Terezinha e Cícera chegam de Franca e desembarcam no terminal rodoviário de São Paulo. Sorridentes, mãe e filha encontram com a equipe do Comércio no local. O grupo segue para Santo André, onde reside o filho de Terezinha, Cícero Pereira. Durante a viagem que durou uma hora e meia, Terezinha contou um pouco da história de sua vida.
Com endereço em mãos e a indicação de pelo menos três frentistas de diferentes postos de combustíveis da cidade, chegamos ao tão esperado encontro. Numa das casas da Rua Genebra, batemos palmas. Ao som de latidos de cachorro, avistamos um senhor no corredor de entrada. Parado, ele apenas nos olhava e não abria o portão. Resolvemos então entrar. O fotógrafo do Comércio pergunta o nome do senhor. Era Fernando Alves Pereira, 74. Sem esperar reconhecimento, Cícera já se emociona: “Me dá um abraço pai”, disse ela, com voz trêmula. Com olhar assustado, Fernando a abraça. Logo depois, é a vez de Terezinha se apresentar. “Não está me reconhecendo?”, pergunta. Fernando a abraça e, meio desconfiado, nos convida a entrar na sala.
Bastante “tagarela”, Terezinha começa contar o motivo da visita. “A Cícera a vida inteira não parou de falar em te conhecer. Foi nos programas Porta da Esperança, Ratinho e Gugu, do SBT, para descobrir por onde vocês andavam. Mas cadê o meu filhinho Cícero?”, pergunta. Um pouco mais relaxado, Fernando conta que Cícero é casado, tem três filhos e está em sua casa, em São Mateus. Antes de se dirigir para lá, Terezinha vê fotografias do filho e o casal conversa, tentando explicar o motivo que o fez separar os filhos. Ela afirma que Fernando a obrigou a escolher um dos filhos e ele que ela não tinha condições psicológicas de cuidar das duas crianças. Sem entrarem em um acordo sobre o motivo da divisão da família, eles resolvem parar o assunto e ir reencontrar Cícero.
Vinte minutos depois, estávamos na casa de Cícero. “Ai, eu sofro do coração, será que vou agüentar ?, diz dona Terezinha, apreensiva para encontrar o filho após quase 50 anos. Na garagem da casa quem nos recebe é Edivaldo, 18, filho de Cícero e neto de Terezinha. Depois de receber abraços calorosos da tia e da avó, ele nos contou que seu pai, atualmente trabalhando como pintor, estava em uma construção na região.
Depois de três horas e meia de espera, o reencontro. “Mainha. Eu sonhava com esse momento”, diz Cícero Alves Pereira, 48. “Meu filho, achei que ia morrer sem te ver de novo”. Com lágrimas nos olhos mãe e filho também se emocionaram. Logo depois, pai, mãe e irmãos posaram para fotos, no estilo “álbum de família”. Nesse momento, a reportagem do Comércio se despediu. Terezinha e Cícera ficaram. Afinal de contas, iriam passar o primeiro fim de semana em família depois de 48 anos.
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