Ser solidário


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Neste domingo, a liturgia da Igreja vai nos ensinar o que Jesus pensa que deve ser feito para receber a vida eterna. Não basta conhecer os mandamentos, é preciso praticá-los. O livro do Deuteronômio aponta o caminho para descobrir a vontade de Deus: escutar o próprio coração. O mandamento do Senhor não está longe do homem; não está oculto no céu, não está além do mar está muito perto: está na boca e no coração de cada um. O que Deus quer de nós é a mesma coisa que o nosso coração solicita. Se o nosso coração fosse simples e puro, se não se deixasse cegar tão freqüentemente pelas paixões, sempre faria suas escolhas de conformidade com o mandamento do Senhor. Já por sua vez a Carta aos Colossenses quer corrigir um erro existente naquela comunidade: seus participantes estão se deixando levar por falsas doutrinas que lhes colocam medos provocando certos sofrimentos e angústias. São Paulo procura apresentar Jesus como o Cristo universal e pede aos cristãos total liberdade para servi-lo unicamente. A leitura é um hino que explicita o papel de Cristo no plano divino da salvação. Em nossos dias os cristãos continuam tendo problemas semelhantes aos dos cristãos colossenses. Não venceram o medo dos espíritos maus. Há ainda muitos que acreditam em superstições, tabus, em feitiços, em trabalhos, e por isso recorrem a rituais mágicos. O apóstolo deixa bem claro que só o Filho de Deus tem poder de nos salvar. Da nossa parte requer a fidelidade aos seus ensinamentos. É no evangelho que se torna claro o que é preciso fazer para possuir a vida eterna. O trecho do evangelho trata do bom samaritano. O bom samaritano usou de misericórdia e compaixão para com o homem que caiu nas mãos dos assaltantes: cuidou de suas feridas, fazendo curativos e derramando óleo e vinho; transportou o homem para uma pensão em seu próprio animal e assumiu as despesas e ainda recomendou cuidados ao necessitado. O samaritano vê o homem e sente compaixão. E movido pela compaixão, ele age. Para possuir a vida eterna é preciso acreditar em Deus de forma concreta; diante da necessidade do próximo, saber servi-lo. O cristão, diante da necessidade de um homem, sente no coração o sentimento de Deus: a compaixão. E daquele momento em diante, ele não segue mais a cabeça, mas o coração; esquece seus negócios, seus compromissos, as prescrições religiosas, o seu cansaço, a fome, o medo e toma providências imediatas, sem parar, até à solução final do caso. Deus na sua sabedoria sempre “providencia” situações com a presença de pessoas necessitadas nas quais encontramos o nosso “próximo”. A nossa fidelidade e o nosso amor a Deus serão avaliados em conformidade com as atitudes que assumimos em relação aos homens. Esta é a verdadeira religião: a religião da vida, não a das conversas vazias. SOLIDARIEDADE I Há muitas pessoas e grupos que se fazem próximos dos outros, como, por exemplo, a Pastoral da Criança. Quantas pessoas que se dedicam a esse trabalho incansável e que traz resultados tão esperançosos. A trajetória da Pastoral da Criança é repleta de histórias de esperança, conquistas, superação de dificuldades e transformação da realidade. O acompanhamento das famílias e crianças em cada comunidade é um exemplo do que a sociedade organizada é capaz de fazer na busca de soluções para os problemas sociais. Os números revelam que o trabalho da Pastoral da Criança é bem recebido em todos os cantos do País. SOLIDARIEDADE II O desejo dos voluntários e voluntárias que são chamados de “líderes” na Pastoral da Criança é “mudar vidas” de crianças, de mulheres, de homens, de gente acompanhada, orientada, iluminada pela vontade de ajudar, de ver crianças crescendo e se desenvolvendo. São muitos os números que cercam este trabalho de sucesso, mas o mais importante dos dígitos não foi e nunca será contabilizado: a transformação social das comunidades, que têm como protagonistas os próprios voluntários e famílias acompanhadas. AMOR Escrevendo sobre a importância da solidariedade, o valor de “ser próximo” dos que necessitam vêm à memória nomes e histórias recheadas de “compaixão”, isto é, outros “bons samaritanos”. Estou lembrando de São Francisco de Assis, São Vicente de Paulo, Beata Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Dom Hélder Câmara, etc. Estes, geograficamente, viveram em lugares distantes da nossa cidade, entretanto, tão perto de nós existiram e existem pessoas fazendo a mesma coisa: D. Leonor, D. Nina que fundaram abrigos para acolher idosos e abandonados, Sr. José Marques Garcia, Sr. José Augusto Baldassari com orfanato para crianças e tantos outros na Apae, nos Voluntários da Saúde em prol do Hospital do Câncer, nas creches, os rotarianos, os leoninos, etc. Não importando o credo, passaram e outros passam semeando a semente boa! PENSAMENTO “Próximo não é aquele que se encontra em meu caminho, mas aquele em cujo caminho me coloco”. (Gustavo Gutiérrez)

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