Governo não sinaliza mais ajuda ao setor


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Se a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) espera incentivos governamentais para alavancar a geração de empregos no setor, os projetos podem não sair do papel. Isso porque, na esfera federal, as negociações não caminham. Apontado como o grande vilão pelo setor calçadista, o Palácio do Planalto sinalizou que tem consciência das dificuldades, mas que não tomará medidas que possam beneficiar o setor e atrapalhar outros que estão indo bem com o real valorizado. O ministro do Trabalho, Carlos Luppi (PDT-RJ), já declarou que não aceita a flexibilização das leis do trabalho. Além disso, o governo já deu sinais claros de que não pretende sequer intervir para valorizar o dólar. No que tange à redução dos juros, o governo diz que já tem atuado nesse sentido e que a taxa Selic (taxa básica de juros estipulada pelo Banco Central), em 12% ao ano, é a mais baixa da história do País. As ações apontadas por Brasília como forma de ajudar o setor seriam as linhas de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a sobretaxa dos produtos vindos da China. O problema é que os financiamentos do BNDES exigem vencer uma quase intransponível burocracia e o aumento dos impostos de importação de produtos chineses, apesar de serem bem-vindos, têm pouco efeito prático sobre a produção calçadista A situação não melhora muito quando o assunto é o governo paulista. O único incentivo até agora foi a redução de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de 18% para 12%, que tem mais a ver com a disputa fiscal entre os Estados. “Temos feito bastante coisa, só que as ações mais necessárias são da esfera federal”, disse o governador José Serra (PSDB). Quando o assunto são as ações municipais, a falta de apoio é ainda maior. Já Sidnei Rocha (PSDB), prefeito de Franca, afirmou que mesmo que tivesse recursos, não vê como prioritária a aplicação em ações que beneficiem o setor privado, como incentivos fiscais. Com isso, a cidade pode estar perdendo terreno para outros pólos, como Novo Hamburgo (RS), onde a prefeitura tem dado incentivos financeiros e de consultoria administrativa para as empresas interessadas em se instalarem ou que já estão na cidade. (PSP)

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